Oleiros: Fernando Jorge defende união “séria e ativa” de autarcas

Oleiros: Fernando Jorge defende união “séria e ativa” de autarcas

O Presidente da Câmara Municipal de Oleiros lançou o mote para a criação de uma estrutura de reflexão que agrupe os Municípios da Região Centro. O objetivo passa pela identificação das necessidades infraestruturais e de políticas legislativas deste território que culminem num documento a enviar ao Governo.

O tema foi debatido num encontro/almoço que decorreu na sexta-feira, dia 8, na vila de Oleiros e a esta chamada responderam cerca de 20 autarcas do território situado acima do Rio Tejo, o chamado “corredor ibérico”, desde a Figueira da Foz até à fronteira com Espanha. É o caso de Arganil, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa, Fundão, Idanha-a-Nova, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei, Vila Nova de Poiares, Vila Velha de Rodão ou Pombal.

“É hora de dizer basta à continuidade de privilégios atribuídos às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Toda esta região (centro) está repleta de belezas de todo o tipo – da gastronomia às paisagens – e de gente trabalhadora e criativa. Mas tem sido sempre secundarizada. Em meu entender, só uma união séria e ativa dos autarcas pode fazer face a este “fado” contínuo”

afirma Fernando Jorge em nota enviada

O autarca afirma ainda que “desde há muito que medito sobre a forma de fazermos valer a força que temos nesta Região Centro, desde a fronteira com Espanha até ao litoral. Sistematicamente Governo após Governo, em épocas eleitorais, prometem um não acabar de promessas, logo esquecidas salvo raras exceções”.

Os autarcas apontaram a necessidade “urgente” de conclusão e requalificação do IC8, da construção do IC31 (entre a fronteira e a A23, em Castelo Branco – colocando a região no eixo Lisboa-Madrid), da região ser encarada como um território possível para acolher o futuro aeroporto, e de ser dada prioridade à criação de políticas e efetivas de discriminação positiva.

O desafio lançado “é extremamente pertinente”, na opinião de Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara de Castelo Branco.

“Independentemente das cores partidárias, precisamos desse incentivo de união porque nem sempre temos sido bem tratados”

afirmou o autarca de Castelo Branco

Concordando com estas palavras, Paulo Fernandes, autarca do Município do Fundão, por sua vez, defendeu uma mudança de paradigma “alterando o percurso que tem vindo a ser feito em que a região se organiza de baixo para cima, quando deve ser pensada de um lado ao outro (litoral à fronteira)”. Armindo Jacinto, de Idanha-a-Nova, referiu que “defender as nossas terras obriga ao dobro do esforço do que se estivéssemos no litoral”, lembrou que a água e a eletricidade fornecidas ao país para consumo “têm origem nestes territórios. E não somos compensados porquê?”, questionou.

Já João Lobo, autarca de Proença-a-Nova referiu ainda a questão dos benefícios associados ao sequestro do carbono. Da mesma forma que Carlos Miranda, autarca da Sertã, pediu mais “medidas de alteração político-administrativas e investimento. Para merecermos esta atenção, só através da união, da pressão regional pela positiva, algo que ainda não aconteceu e daí ver esta iniciativa com bons olhos”.

Dando continuidade a esta iniciativa, está prevista uma nova reunião de autarcas. Nesta primeira “cimeira autárquica regional” outros municípios justificaram a ausência, como Figueira da Foz, Covilhã, Batalha, entre outros, por motivos de agenda, mas expressaram “total solidariedade” à proposta de criar um manifesto de interesses coletivo que defenda e posicione toda a região, no momento em que arrancam o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e um novo quadro comunitário de apoio para 2021-2027, ambos apoiados por fundos europeus.

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