O Mundo Mudou

O Mundo Mudou
Maria Helena Paes

Há alguns dias recebo uma visita de um familiar por quem tenho uma grande estima e admiração. Deslocámo-nos à Vila de Cascais em amena conversa partilhando ideias e acontecimentos. Ficou-me gravada uma frase sua: “O Mundo Mudou”. Não podia estar mais de acordo. Foi um dia feliz, mas tão diferente do antigo passeio a esta belíssima Vila de Cascais. Palmilhámos várias ruas, que desconhecia, com uma beleza tão encantadora. Fizemos uma refeição leve num restaurante diferente do habitual. Dizia o meu familiar: “Vamos inovar”. Logo, logo descobrimos afinidades com o dono do restaurante devido a alguns pratos de origem africana. Tínhamos em comum, ter estado há largos anos na cidade de Joanesburgo. Foi uma refeição simples mas bem agradável. Na verdade muita coisa tinha mudado desde então! Urge adaptarmo-nos aos novos tempos. Certamente também trarão coisas boas, ainda que diferentes. São os diferentes ciclos de vida. Temos de fazer o luto dos ferimentos adquiridos nas bermas da estrada da vida!

E, como nos encontramos na Quaresma, recordei uma frase do Papa Francisco: “A Quaresma convida-nos à conversão, a mudar a mentalidade, de tal modo que a vida encontre a sua verdade e beleza não tanto no possuir mas no doar, não tanto no acumular mas no semear o bem e partilhá-lo”. “Não nos cansemos de fazer o bem, porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido”. (São Paulo aos Gálatas). Que bonito, a Quaresma convida-nos igualmente à conversão do coração, a olhar com os olhos de Deus, procurando descobrir o que há de bom nas pessoas, com o nosso coração aberto, sem preconceitos.

E, ainda a propósito de novos tempos, recordei um episódio recente. Gosto muito de participar na Procissões da Quaresma em Mafra que têm lugar no recinto do Palácio Nacional de Mafra promovidas pela Real Basílica de Santo António e de Nossa Senhora, antiga Capela Real deste palácio, sob a responsabilidade da Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, instituída no século XVI.

São de uma beleza ímpar, recriadas com muita devoção e como tinham lugar tradicionalmente. Este ano não me foi possível participar na Procissão de Penitência de Mafra (Terceiros), que teve lugar no passado dia 27 de março. Mas Deus é grande! Foi com enorme satisfação que consegui acompanhar, sem estar à espera, através do facebook. Que maravilha! Vieram-me as lágrimas aos olhos, muito sensibilizada. Apressei-me a divulga-la pelos diferentes grupos.

Com satisfação recebi comentários de que estavam a acompanhar desde diferentes países, entre eles, o Brasil e os EUA. Senti-me muito reconhecida e agradada com esta divulgação inesperada. Recordo que há ainda a possibilidade de participar, no próximo dia 10 de Abril de 2022, às 10H45, na Procissão das Sete Dores, conhecida por procissão da Burrinha.

A designação popular e tradicional como Procissão da Burrinha é devida à existência da burrinha no lindíssimo andor que retrata a fuga para o Egito, sendo o seu nome correto “Procissão das Sete Dores de Nossa Senhora”.

O cortejo é composto por sete andores alusivos às sete dores da Mãe de Jesus. “Profecia de Simeão”; “Fuga para o Egito”; “Encontro com o Menino Jesus no Templo”; “Encontro a Caminho do Calvário”; “Morte de Jesus na Cruz”; “Descida de Jesus da cruz”; “Jesus no Sepulcro”; segue-se um oitavo andor com a Imagem de Nossa Senhora das Dores.

É de uma rara beleza esta procissão. Teve lugar pela primeira vez em 1793, no período áureo da história da Vila de Mafra. As belíssimas imagens da procissão integram um grupo de 50 imagens cuja autoria Ayres de Carvalho atribuiu a Joaquim José de Barros Laborão, um dos últimos mestres da Escola de Escultura de Mafra, sendo um dos maiores conjuntos de santos de roca existentes em Portugal.

Constitui uma rara oportunidade contemplar estas imagens vestidas, em andores, que provêm de recuados tempos, atravessando uma série de gerações de portugueses, a quem foi concedida esta oportunidade cultural e devocional ímpar.

Aconselho vivamente! Pela sua imponência, grandiosidade, valor cultural, pela sublime mensagem espiritual que nos transmite. Uma verdadeira preciosidade existente no nosso País, mais concretamente, na Vila de Mafra.

Graças a Deus, apesar das diferentes mutações existentes, cada vez mais se revela a extrema importância de manter as tradições que são vividas com fé e com respeito e admiração pelos nossos antepassados.

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