O Meu Coração Transbordou de Alegria

O Meu Coração Transbordou de Alegria
Maria Helena Paes

O meu filho mais novo vinha passar o fim-de-semana comigo. Que bom, quantas saudades! Como referia uma empregada antiga: “O minino enche a casa. Quanta verdade há nesta frase. Como sempre chegou cheio de planos, de coisas para fazer, mas também muito disponível para ouvir as pessoas. Sempre admirei esta sua qualidade: a sua grande abertura faz com que muitos se aproximem dele. Veio-me ao pensamento a mensagem do Papa Francisco para o LV Dia Mundial das Comunicações: “Vem e verás” (Jo 1,46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”. Mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em algum dos seus aspetos. Na sua mensagem o Santo Padre refere ainda uma frase do beato Manuel Lorzano Garrido, a que se torna importante dar ênfase: “Abre, maravilhado, os olhos ao que vires e deixa as tuas mãos cumular-se do vigor da seiva, de tal modo que os outros possam, ao ler-te, tocar com as mãos o milagre palpitante da vida”.

Entretanto o meu filho convidou-me para o acompanhar numa ida a Cascais onde tinha um assunto rápido a tratar. Anuí imediatamente. Como era bom usufruir da sua companhia. Também rever a Vila de Cascais, onde não ia há muito tempo. E o dia estava excelente, cheio de sol. Rapidamente tratou da sua reunião, sabendo que o aguardava. Pelo caminho tínhamos decidido que iriamos almoçar num restaurante que, quando os meus filhos eram pequenos frequentávamos. Faziam o melhor “bacalhau à brás”. Uma dose seria suficiente para os dois. Será que ainda está aberto? Estava mesmo. Sempre atenciosos. Reconheceram-nos. Fomos muito bem tratados. Eramos os únicos clientes. O bacalhau estava melhor do que nunca. Os donos referiram que aguardavam com esperança, a retoma, o regresso dos estrangeiros e dos cascalenses. Almoçamos tranquilamente, usufruindo do desconfinamento com algum alívio, expetativa e muito cuidado. Ao sairmos pedi-lhe para irmos comprar uma pequena recordação para a minha neta que ia jantar connosco nesse dia. Também para vermos o mar, regressando pela marginal.

Parámos na “Boca do Inferno”, com a sua paisagem maravilhosa, o céu azul, o mar com um cheiro inebriante e o assustador impacto das ondas a rebentar nas rochas. O meu filho foi-me revelando algumas das suas histórias, algumas delas com um fim trágico. Também me referiu o melhor ângulo para tirar uma fotografia da Boca do Inferno. Um local muito bonito, onde o sol nos aquecia o coração e o infinito nos recriava a esperança no futuro. Novamente faltavam os visitantes. Entrámos numa feira de recordações, coberta, que existia ao lado. Todos os vendedores nos chamavam referindo que não tinham ainda vendido nada. O meu filho aproximou-se de uma vendedora que o chamava mostrando-lhe um pequeno pássaro em barro pintado que ao soprar, colocando-se um pouco de água, emitia o cantar de um rouxinol. Comprámo-lo para a minha neta ajudando assim a vendedora, que se estreava nesse dia. Num café deserto comprei um gelado. Regressámos ao carro. O meu filho comentou: “Parece que estamos a fazer obras de misericórdia!” Respondi que estávamos a estimular a economia e a recriar a esperança nas pessoas.

Sabia que tinha sido inaugurada recentemente em Cascais uma exposição itinerante dos 75 anos do Opus Dei em Portugal. Por ironia do destino, passámos à porta do Centro de Exposições, junto à Marina de Cascais. Manifestei o meu interesse em fazer uma visita rápida, uma vez que já a tinha visitado em Lisboa. O meu filho prontificou-se a aguardar no carro já que não encontrámos estacionamento disponível.

Quando entrei, deparei-me com uma foto da Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, cuja participação no início do trabalho do Opus Dei em Portugal se revelaria muito importante. Foi a Irmã Lúcia que, em fevereiro de 1945, pediu insistentemente a S. Josemaria Escrivá, aquando de uma visita que fez à vidente de Fátima, que fosse a Portugal, no sentido de incentivar o começo do Opus Dei em terras portuguesas. A Irmã Lúcia residia por essa altura num convento em Tuy, Espanha. Nesta visita o fundador foi acompanhado pelo bispo D. José López Ortiz.

Em Fátima, durante uma visita que o fundador realizou, viria a confiar a Nossa Senhora de Fátima o futuro trabalho apostólico em Portugal. S. Josemaria, referindo-se à Irmã Lúcia, comentou que “era uma mulher de uma humildade maravilhosa”. Continuei a visita que se encontrava muito bem organizada, parando novamente numa sala com objetos pertencentes a S. Josemaria, entre eles, o rosário com que este santo rezou o terço em Fátima em 1972.

Na véspera desta deslocação à Vila de Cascais, o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, que presidira às cerimónias do 104ª aniversário das aparições da Virgem aos três pastorinhos, tinha referido: “A Fátima, nós peregrinos chegamos sempre de mãos vazias. Mas de Fátima, levamos acordado dentro de nós, um sonho. Fátima ensina como se ilumina um mundo que está às escuras”. “O amor é o mais verdadeiro, o mais profético, o mais necessário do desconfinamento”. “Obrigado Senhora, por fazeres deste lugar uma alavanca da nossa humanidade. Um laboratório sem portas nem muros, sempre aberto à esperança”.

Estava na hora de regressar a casa. Em breve teria a presença da minha neta, que gostaria imenso do passarinho de barro e brincou com o tio que se mostrou cheio de paciência e de saudades. E assim “O Meu Coração Transbordou de Alegria” em família. Santa Maria, Rainha da Esperança, rogai por todos nós.

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