O céu de outubro de 2022

O céu de outubro de 2022
Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)

Dias cada vez mais curtos e noites cada vez mais longas… Desde o equinócio, no passado dia 23 de setembro, até ao solstício, a 21 de dezembro, vamos ver o Sol cada vez menos tempo acima do horizonte. Mas nem tudo são más notícias – Noites mais longas significam mais tempo disponível para observar o céu por cima das nossas cabeças.

Vamos então ao céu de outubro de 2022. No dia 3, a Lua está em fase de quarto crescente.

No dia seguinte, começa a Semana Mundial do Espaço, uma celebração internacional da contribuição da ciência e tecnologia espacial para o melhoramento da condição humana. Esta foi oficialmente declarada pelas Nações Unidas como sendo, anualmente, entre 4 e 10 de outubro, datas que comemoram dois acontecimentos marcantes da era espacial: o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik I, a 4 de outubro de 1957 e a assinatura pelos estados-membros da ONU do Tratado de Exploração Pacífica do Espaço Exterior, no dia 10 de outubro de 1967.

Durante a semana mundial do espaço, a Lua passa a cerca de 4 graus do planeta Saturno (dia 5), a 2 graus de Júpiter (dia 8) e atinge a fase de lua cheia (dia 9). O amanhecer de dia 9 será ainda o mais propício para ver Mercúrio – neste dia, quando o Sol nascer, o planeta estará a cerca de 14 graus acima do horizonte, o ponto mais alto das próximas semanas.

Dia 14 a Lua passa a 3 graus de Marte e dia 17 atinge a fase de quarto minguante.

Isto quer dizer que, no dia 21, dia do pico da chuva de meteoros da Oriónidas, não há brilho da Lua a dificultar as observações, até cerca das 3h30 da manhã. Esta “chuva” não é tão impressionante como as Perseidas, em agosto, ou as Leónidas, em novembro, mas ainda assim, em céus escuros, são esperados entre 20 e 30 meteoros por hora.

Dia 22, Vénus está em conjunção, isto é, estará ofuscado pela nossa estrela, do lado oposto do Sol, a 1,72 unidades astronómicas (quase 260 milhões de quilómetros) da Terra. Só voltaremos a vê-lo no céu lá para o final de novembro, desta vez ao anoitecer.

Ao amanhecer do dia 24, a Lua, num finíssimo minguante, quase nova, passa a 3 graus de Mercúrio e no dia seguinte atinge a fase de lua nova.

No último domingo de outubro, que este ano calha no dia 30, voltamos ao horário de inverno e a hora volta a estar mais próxima da verdadeira hora solar. Assim, no Continente e na Madeira, às 02h00 atrasamos os relógios para a 01h00, enquanto nos Açores, à 01h00 mudamos o relógio de volta para a meia-noite.

Ou seja, enquanto no dia 29, o Sol se irá pôr-se por volta das 19h00, no dia 30 já se põe às 18h00. Em compensação, quem sai de casa por volta das 7h30, levanta-se de noite na sexta-feira, dia 28, mas já de dia na segunda-feira, dia 31.

Dia 30 é também o dia em que o planeta Marte, no nosso céu, parece parar e voltar para trás, isto é, inicia o seu movimento retrógrado. Este movimento aparente, no nosso céu, resulta de a órbita da Terra à volta do Sol ser mais rápida do que a de Marte. Isto faz com que, por vezes, os dois planetas estejam a viajar em sentidos opostos, e noutras estejam a viajar no mesmo sentido, dando a aparência de Marte andar “para trás e para a frente” no céu. Este “moonwalk” marciano irá durar até 12 de janeiro do próximo ano.

Boas observações.

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