No alto da torre é que não, Jovem, não convém!….

No alto da torre é que não, Jovem, não convém!….
Dom Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco

Já pensaste onde é que a árvore JMJ2023 vai ser plantada? Não?!… Então pensa, mas aí é que não, no cimo da torre da igreja não pode ser! Nem as cegonhas deviam ter aquele abusivo jeito de lá construírem os seus palácios, deixando por lá, e ao redor, argumento quanto baste da sua presença! É verdade que a árvore e a sua plantação não constituem um crime de lesa-majestade para quem se baldar! No entanto, é uma iniciativa a não desperdiçar nesta caminhada em direção à JMJ, passando pela Jornada Diocesana da Juventude.

Neste mundo de académicos e doutores, e como não traz manual de instruções, alerto desde já que convém plantar a árvore de raiz para baixo, ihihihih! Na proposta do COL, do COD e do Secretariado da Juventude e Vocações, está previsto uma ou duas árvores por paróquia. A decisão sobre o local, o dia e a hora da sua plantação, devendo ser o mais possível consensual, convém ser tomada antes da Jornada Diocesana, uma vez que a plantação da árvore deve acontecer no dia seguinte, Domingo de Cristo Rei, Dia Mundial da Juventude. Os jovens de cada paróquia, católicos ou não católicos, crentes ou não crentes, doutras religiões ou mesmo aqueles que não sabem se acreditam, todos quantos sejam provocados e se associem, devem, na medida do possível, dialogar e decidir juntos. Se acharem por bem, também será giro convidar as autoridades locais a trocar impressões sobre isso, é uma forma de gerar empatia e colaboração, de fazer caminho conjunto até à Jornada em Lisboa. Nas paróquias mais urbanas, porém, a ser possível a plantação da árvore, nem o será sem essa colaboração das autoridades que superintendem nos espaços. Será bonito, muito mais bonito ainda se toda a comunidade paroquial for bem informada e se associar ao acontecimento. Importante é que a árvore fique a marcar este feliz evento. Que seja um pretexto para novos e menos novos, os de agora e os do futuro, se lembrarem da efeméride JMJ2023, em Lisboa, e do cuidado a ter com a natureza. Para isso, não pode ser plantada detrás de uma parede ou lá onde nem sequer a passarada a vê. Tampouco deve estar exposta de tal modo que até as cabras batam palmas e se convidem mutuamente para saborear o vitamínico. Que o vosso senso comum determine o melhor, mesmo que o senso comum, muitas vezes, seja a coisa menos comum: ahahahah! Também haverá uma árvore, se assim o desejarem, para os Centros de Acolhimento de Jovens, nomeadamente das Cooperativas para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas (CERCI’s) e para as da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM’s).

Mas a árvore vai precisar da ajuda de uns e outros. Ela não fala pelos cotovelos, não discute futebol, não vai ao cinema, não tem pernas para andar, mas está viva, quer crescer e viver bem enraizada, fazendo história com a tua ajuda. Se for levada, plantada, cuidada e estimada, ela agradece. A nossa jornada diocesana será na bonita vila da Sertã, no dia 19 de novembro, sábado. Pretende-se fazer caminho em perspetiva vocacional, ecológica e missionária, sob o mote: “Parte à descoberta, vem ver o que eu vi”. Dentro do programa gizado para se viverem os vários momentos deste encontro, as árvores, que à nossa Diocese são gentilmente oferecidas pela empresa ‘Reciclagem de Sucatas Abrantinas’, serão benzidas no Santuário da Senhora dos Remédios. Cinco, uma por cada arciprestado, serão plantadas no recinto do Santuário, de manhã. As outras, cada paróquia ou Instituição referida, levará a sua árvore consigo, no fim da Jornada. Antes, porém, celebraremos a alegria do encontro de uns com os outros e de todos com Cristo, sob o olhar feliz da sua e nossa Mãe, a Senhora dos Remédios. Que ela nos cure da indiferença, nos estimule a que nos ponhamos a caminho, a que nos recebamos uns aos outros como amigos em direção à JMJ23, reconhecendo e cantando as maravilhas de Deus na nossa vida. Maria também reconheceu e proclamou as maravilhas que o Senhor nela operou.

Como diria Camões, “um fraco chefe fará fraca forte gente”, se não anima, se não estimula, se cruza os braços, se pensa que nada é com ele, que isto não tem interesse. A força e a presença dos jovens depende muito das lideranças e das prioridades das suas comunidades. O Papa Francisco, num vídeo-apelo feito aos sacerdotes de Portugal, chamou a atenção para a força que brotou do Pentecostes. Afirmou que os jovens vão fazer barulho. Que por detrás dos jovens está a força do Espírito Santo a usá-los para que façam barulho. Com os olhos postos na Igreja, santa e pecadora, Francisco pede um forte envolvimento nesta JMJ, sem medo, para que ajudemos o Espírito Santo a fazer a bela harmonia de tudo quanto vier a acontecer. Ao fazer eco deste apelo, eu faço-o ao jeito de Tarzan, a gritar/berrar, para que também eu possa ouvir!…

No entanto, anda daí, jovem, mesmo que não sintas grande vontade nem apoio, não queiras a ‘felicidade do sofá’. Salta, tira as pantufas, calça os sapatos e sai a sensibilizar a tua comunidade para esta Jornada Diocesana a caminho da JMJ, em Lisboa. Sê especialista em calçar os sapatos aos outros, mas sem os magoar. Cada um sabe onde lhe aperta o sapato! No entanto, se eles, por causa disso, persistem em ficar acomodados na tal felicidade do sofá ou debruçados à janela a ver passar a banda, convence-os, com arte e delicadeza, que há muita, mesmo muita, muita e feliz vida para além desses inúteis e monótonos lugares e miradouros. E mesmo que, no começo da caminhada, os sapatos lhes possam fazer algumas mossas, reais ou preconceituosas, logo deixarão de o fazer pela empatia que tu fores capaz de gerar. Maria também se levantou e saiu apressadamente, lembraste? Antecipou-se, pôs-se a caminho, surpreendeu Isabel que feliz exclamou: “donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor!?”. E deu-se a festa do encontro. Um encontro tão festivo que até João Batista e Jesus, na impossibilidade de logo correrem traquinados a apanhar os foguetes, saltaram de alegria no seio de suas mães. Como afirma Francisco, quantos testemunhos de pessoas «visitadas» por Maria no meio das suas angústias e vicissitudes?! Quantos exemplos concretos da relação viva entre a Mãe do Senhor e o seu povo em santuários, igrejas, capelas e no acolhimento da sua imagem em família com belíssimas expressões de piedade popular?! E quantas pessoas esperam uma visita de alguém que cuide delas, que não seja indiferente?! A pressa de Maria “é a pressa de quem sabe colocar as necessidades do outro acima das próprias”. No entanto, a maior prenda que Maria oferece à sua prima, não é um telemóvel ou coisa semelhante para a maravilhar e distrair, “é levar-lhe Jesus: certamente também a ajuda concreta foi muito preciosa; mas nada teria podido encher a casa de Zacarias com uma alegria tão grande e um significado assim tão pleno como o fez a presença de Jesus no ventre da Virgem”.

Entre os pequeninos e humildes, Maria ensina-nos a buscar o melhor, a ter prioridades e objetivos, a fazer escolhas, a tomar opções, a correr riscos, a aceitar desafios, a ter esperança de os concretizar, confiando plenamente em Deus que nos ama, provoca e convoca. Como sabes, há opções que fazem voar alto como as águias, são opções positivamente ambiciosas, boas e bonitas. Outras são mais rastejantes e autorreferenciais, valem pouco, não entusiasmam muito, dão a impressão de que não houve sonho sonhado para comandar a vida. Haverá ainda outras opções muito menos elegantes. São aquelas que só pretendem alcançar poder, dinheiro, prazer, aplausos, importância. E tantas vezes empoleirando-se e esmagando os outros, servindo-se deles. Embora cativantes, facilmente escravizam, mesmo que as pessoas se orgulhem da sua liberdade, um orgulho difícil de entender. Apesar de jovenzinha, Maria tinha projetos de vida. Era uma jovem de cara lavada, comprometida, sensível e solidária, sempre em movimento como todos os jovens que se prezam de o ser. Espiava o futuro vivendo ’em saída de si mesma para o Outro que é Deus e para os outros, sobretudo os necessitados’. Por isso, “levantou-se e partiu apressadamente”, com a certeza de que os planos de Deus eram “o melhor projeto possível para a sua vida”.

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