Não posso ficar indiferente

 Não posso ficar indiferente

Maria acaba de ter o seu Divino filho. Ele chora, não quer sair dos aconchego da Sua mãe e  ser colocado numa manjedoura inóspita,   tem de ser e finalmente! Os animais que ali chegam ficam confusos; em vez de encontrar alimento deparam com um recém- nascido que embora não os alimente, eles são atraídos por Ele e instintivamente ficam a acompanhá-lo, uma vez que a humanidade, à excepção de uns poucos, não O quis receber.

Uma espada de dor começava a fazer parte vida de Maria perante a ingratidão dos Homens para com o seu Criador! Por isso, quando Simeão disse que uma espada trespassava a sua alma, essa seria a “rainha “ de todas as espadas que antecederam. O Fiat de cada instante, não foi só na fuga para o Egipto ou quando o Menino é procurado e encontrado no templo. Não, o Fiat era quando queria estar junto d´Ele acariciá-Lo, mas os afazeres que qualquer dona de casa tem, a obrigam fisicamente a afastar-se do seu Menino.

Quanto não terá sofrido ao ver o seu esposo e o seu Filho a chegarem suados da oficina, cansados, transpirados após um dia de trabalho.  Cansaço fruto da desobediência de um homem repetida por toda a humanidade.

Como teria sido muito mais fácil se Aquele que disse Faça-se Luz, Faça – se o Homem, dizer também faça-se a cadeira, a mesa, o móvel! Nem Ele se cansava nem o Seu pai! Maria meditava todas estas coisas e num Fiat constante aceitava o incompreensível.

O Seu Menino que apesar de ser seu Senhor obedecia , Ele encarnou assumindo até ao mais ínfimo pormenor todas as contingências de qualquer ser humano, à exceção do pecado pois este seria a Sua própria  negação  e Deus é. As mãos calejadas por aplainar e serrar a madeira iam sendo preparadas para serem pregadas  numa outra madeira, a da Santa Cruz.

José perguntaria o porquê de ele ser o escolhido para cuidar de Jesus. Também podemos perguntar porquê sermos eleitos para anunciar esse Menino que está no meio de nós?

Olhamos para Ele no presépio e ficamos atordoados com tanto Amor. E na Eucaristia? Aquele que esteve numa manjedoura agora espera silenciosamente no Sacrário, passam-se horas e horas sem que nenhum Homem o visite. 

A Maria e José custava-lhes deixar o Menino sozinho, nós estamos sempre com pressa quando vamos conversar com Jesus, no Sacrário, que arde e derrama Amor quando O vamos ver! 

Nesta hora da expectativa de chegada do nosso Deus, não deixemos que o mundo se transforme em espigas que nos sufocam.

*Maria Guimarães, Professora

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