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Missa Crismal/Diocese: Bispo quer Igreja ao lado “dos mais frágeis, dos discriminados e excluídos”


O bispo de Portalegre -Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, pediu hoje um olhar crítico perante as realidades “sociais, económicas, culturais e políticas”, condenou a “banalização da mentira” e afirmou que a “Igreja tem de continuar do lado certo da história”.
“Como Igreja, temos de continuar a estar do lado certo da história, que é o lado dos mais frágeis, o lado dos discriminados e excluídos, o lado dos que se veem privados dos seus direitos: não podemos dar livre curso a que os pobres se tornem cada vez mais pobres; em que haja, entre nós, cidadãos que sejam rotulados de segunda classe em razão da sua origem, nacionalidade, grupo religioso ou cultural ou estilos de vida. O serviço que nós, ministros ordenados, prestamos à comunidade é essencialmente um serviço de favorecimento da comunhão e da unidade”
afirmou D. Pedro Fernandes na homilia da celebração da Missa Crismal
Segundo o Prelado “o nosso serviço à Palavra e à Verdade do Evangelho impele-nos também a termos um olhar crítico e solícito perante as realidades sociais, económicas, culturais e políticas do nosso tempo. A banalização da mentira, a proliferação do mal, que parece tender a normalizar-se em vez de ser resolutamente repudiado, tem de encontrar em nós um olhar crítico, uma voz profética e um gesto decididamente coerente com a Verdade de Cristo que professamos”, afirmou.
O bispo de Portalegre-Castelo Branco denunciou “posicionamentos de extrema-direita ou de extrema-esquerda” que fazem mal “à Igreja e à comunidade humana” que a diocese quer “servir, anunciando o Evangelho”.
“Como anunciar o Evangelho sem denunciar o mal? Como servir Cristo, se não o reconhecemos no pobre, no migrante, no excluído e discriminado? Nas nossas comunidades, mesmo em meio rural, tem crescido a população adventícia: precisamos de criatividade para ir ao seu encontro, para formar os irmãos para a hospitalidade e fazer sentir aos nossos novos concidadãos que são bem-vindos e que têm na comunidade cristã uma casa e um lugar de apoio solidário. Isso chama-se missão”
reconheceu
O responsável, a presidir às celebrações pascais pela primeira vez enquanto bispo, quis afirmar a certeza da proximidade de Deus com cada padre: “Deus contou e recolheu cada uma das vossas lágrimas, rejubilou com cada uma das vossas alegrias e sucessos. Deus conhece cada um dos momentos de dor, de desânimo, de fracasso e também de pecado e fragilidade que temos experimentado, desde que, pela imposição das mãos, fomos enviados a servir. E Deus não desiste de nós, nunca desistiu e garante-nos a Sua fidelidade para sempre. Cuida de nós e convida-nos a se cuidadores da comunidade de que somos membros e servidores”.
O bispo de Portalegre-Castelo Branco alertou para desafios que a diocese enfrenta e pediu que este tempo seja encarado como “oportunidade que o Espírito de Deus oferece”.
“Somos cada vez menos, os ministros ordenados; também muitas das nossas comunidades, sobretudo nas regiões mais rurais, tendem a diminuir e a envelhecer. Julgo que não devemos ver isso como uma desgraça que lamentamos, mas muito mais como uma oportunidade que o Espírito de Deus nos oferece, facilitando a conversão sinodal e missionária que toda a Igreja é chamada a acolher, na cidade ou no campo, aqui ou nos ambientes eclesiais onde os desafios imediatos se configuram de um outro modo”
indicou
Agradecendo o trabalho e manifestando “admiração e gratidão” pelo trabalho dos sacerdotes, D. Pedro Fernandes pediu que se concentrem esforços para “motivar as comunidades para um compromisso missionário cada vez mais efetivo e prático”.
“Não são os leigos que ajudam os padres na sua missão, mas são antes os padres que ajudam os leigos na missão batismal, que lhes é própria. Por essa razão, precisamos de continuar a investir muita energia suscitando nas nossas comunidades cristãs lideranças laicais. Animadores de comunidade, irmãos e irmãs que possam presidir às celebrações da Palavra, às exéquias e a tantos outros serviços comunitários. Precisamos de líderes leigos, não porque temos falta de mais padres, mas porque temos falta de mais líderes leigos! Estes não entram em ação para substituir o padre (que tem, aliás, um lugar próprio em que não pode ser substituído!), mas para assumir a missão que lhes é própria, pelo batismo”
pediu
A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese e durante a celebração são benzidos os óleos destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo; é nesta Eucaristia que os padres renovam as promessas sacerdotais.
Segue a homília completa, em áudio, do Sr. Bispo, D. Pedro Fernandes
