Minha Mãe me deixou viver

Minha mãe é amor que dá alento Está em mim, amor vivo, a viver E me religa ao pai e irmandade A mente e coração enternecer De felizes memórias mil e saudade. Quem me disse “é tua mãe” foi meu pai; Quem me disse “é teu pai” foi minha mãe; Meus pais diziam: “teus irmãos e irmãs”. E clamam: é mamã, é o papá. E sorriem mil vezes ao mimão. Mãe dá colo, papá acaricia, Vizinhos fazem festas ao menino, Irmãs mostram sorrisos, em alegria, Pegam-lhe os padrinhos sem parar E dizem: é bem lindo, Ti Joaquina! Aos seis do petiz, mãe diz à amiga: É o Aires, o mais novo, “não o esperava” Vai nos sete, este ano entra na escola De rapazes do professor Guerra, É menino de boa cabeçola. Lembro bem minha mãe a me deitar No berço a me embalar com terno canto: “Com Deus me deito, com Deus me levanto Em nome do Pai, Filho e Sprito Santo” E, aos sete, em família, o terço orar. À missa junto dela ia rezar, E, crescido, assistia com o pai, Até aos treze, à frente do altar, Quando, abençoado por pai e mãe, Parti para ser quem gosto de ser.
*Aires Gameiro – Funchal, 6 de abril de 2025
