Maria do Céu Cardoso Inácio Tavares

Maria do Céu Cardoso Inácio Tavares

Sarzedinha: 11/08/1941 – 19/01/2023

É certo que partiste e a saudade que fica nos nossos corações permanece enorme! Mas sabemos que, onde quer que estejas, estás a olhar por nós com esse teu sorriso que sempre te caraterizou! Até porque a tua lembrança e o teu amor continuam vivos e presentes nas nossas vidas.

Amor Maior

“Mãe. Estou sentada contigo à soleira da porta,
o inverno vai soalheiro, e o suculento
cheiro das laranjas derrama-se no ar, e existe.
É quase presente, de um fulgor inocente,
ou quase verdade, desse fruto aberto.
 
Mãe. Podes acariciar-me sem pressa
os loiros cabelos limpos das poeiras obscuras,
um poema onde os versos são
de afeto,
o sorriso quase eternidade
de um Sol dourado.
 
Mãe. Deixa ficar os beijos,
o coração quente no peito,
os abraços da manhã sobre a cama,
a caminho da perfeição.
O tempo é leve quase de seda. Porque
o meu amor é entre a romã madura e os olhos fascinados,
onde a beleza é mais pura.
 
Mãe. É por dentro que a tua voz
mais me faz falta. Neste silêncio
onde me perco de coração desabitado
húmido ainda das primeiras chuvas.
Assim a solidão cresce sobre a existência,
que é ferida de soluços.
 
Mãe. Nem a candura doce das palavras
nem as pombas brancas nos veios do céu
te dirão o quanto te amo.
 
Mãe. Não digas nada, escuta-me: a noite
aproxima-se de mim, vou dormir
contigo debaixo da pele.”

(do livro “Aberto para sempre o corpo de mais uma estação” 
de Sandra Inácio, filha de Maria do Céu Cardoso Inácio Tavares)

*Homenagem de toda a Família

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