Lula(s) no Parlamento, tempestade na democracia

 Lula(s) no Parlamento, tempestade na democracia

Agora que Lula da Silva regressou ao Brasil e enquanto as novelas galambinas vão ocupando o nosso cotidiano, podemos falar das polémicas celebrações do 25 de Abril.

A Assembleia da República deveria ser um local de excelência, com elevação cívica, refinado debate político e exemplo de urbanidade entre os seus pares para exemplo de toda a sociedade.         

Mas se a democracia apresenta sinais preocupantes de desgaste, que dizer do que se passou no Parlamento que tanto envergonha Portugal?

O CHEGA, aproveitou para achincalhar vergonhosamente um convidado especial, que goste-se ou não, é o representante democraticamente eleito de um país irmão com quem Portugal tem, e deve aprofundar, uma ligação secular. Esta actuação serviu para esclarecer os mais incautos que este partido mais não é do que a outra face da moeda que irremediavelmente o une a comunistas e bloquistas. Moeda essa, é muito importante relembrar, que António Costa utilizou para comprar a sua subida a primeiro ministro depois da humilhante derrota a que foi sujeito em 2015. Tivesse Costa precisado e teria negociado com Ventura essa mesma ascensão ao poder, por muito que grite que ali só há diabo.       

E os outros intervenientes?

Marcelo Rebelo de Sousa, envergonha Portugal ao condecorar a mulher de Lula da Silva por alegados relevantes serviços prestados aos portugueses. A banalidade com que Marcelo atribui condecorações, envergonha também muitos justos a quem a mesma condecoração foi atribuída, levando-os a retirar tal galardão do seu currículo para que a opinião publica não lho coloque na página do cadastro. E que dizer de um vergonhoso discurso bipolar, contraditório, perdido nos complexos da nossa história e em vagos recados ao governo entre a ameaça de dissolução parlamentar e a garantia de estabilidade?

Augusto Santos Silva, segunda autoridade máxima da Nação, envergonhou Portugal ao convidar de forma inédita, logo protocolarmente desnecessária, um presidente controverso, que aquando da vitória de Bolsonaro, acusava Portugal pelo atraso socioeconómico e culturalmente baixo do povo Brasileiro.  Envergonha também Portugal quando em “off” se presta a tristes comentários, demitindo-se do cargo de presidente da Assembleia da República e vestindo o fato de “oligarca” do PS.

Envergonha Portugal o António Costa ao relembrar que os mandatos são para cumprir até ao fim, esquecido que está da traição cometida contra António José Seguro, exemplo claro do quanto as ambições  pessoais não olham a meios para atingir os fins.

Envergonha Portugal o PCP e o BE que sistematicamente usam o parlamento para demonstrar o seu repudio pela democracia. A visita de Ronald Reagan em 1985, a visita dos Reis de Espanha em 2016, os constantes ataques a Bolsonaro, entre outros, são prova inequívoca de que nada os difere do CHEGA.

Envergonham Portugal aqueles deputados que abandonam o hemiciclo durante os discursos contraditórios aos seus. Demonstram muito bem o quanto desrespeitam as cadeiras que ocupam e o quão perigosa é a sua ascensão ao poder, sejam eles de extrema direita ou esquerda.

Num raro alinhamento comum, todos os intervenientes falaram do seu futuro, sem uma única referência ao nosso futuro, num obvio arranque de pré-campanha eleitoral. Todos parecem plenamente conscientes que o actual ciclo político há muito que iniciou a marcha fúnebre a caminho do seu enterro final.

Perante um Presidente da República frouxo, que de tanto falar já ninguém leva a sério, que dificilmente terá coragem de provocar uma mudança de rumo, restam-nos duas alternativas.

Acreditar que António Costa percebe o real pântano em que colocou Portugal e apresenta a demissão do governo enquanto ainda respira ou esperar que a ala moderada, com sentido de estado e eticamente recomendável que resta dentro do PS se encarregue de ser o promotor dessa mudança, numa manobra inédita na nossa democracia, tão inédita como a geringonça que Costa construiu para chegar ao poder.

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