Festival de Ciência, ou a fantástica viagem aos mundos do conhecimento

Festival de Ciência, ou a fantástica viagem aos mundos do conhecimento

Em 2021, Oeiras acolheu o primeiro festival de ciência desenvolvido em Portugal. O FIC.A – Festival Internacional de Ciência foi altamente participado, com 34 mil visitantes ao longo de 6 dias, e gerou grande interesse no país e no estrangeiro.

Até ter lugar, o Festival percorreu um longo caminho, durante o qual se debateu não apenas com as implicações da pandemia no sector da cultura e dos eventos de massas, mas também com o desconhecimento do formato em contexto nacional. O imaginário estava praticamente circunscrito às típicas feiras de ciência que acontecem um pouco por todo o país, dinamizadas sobretudo por instituições académicas e por museus e outros espaços dedicados à promoção da cultura científica. Muito embora as feiras sejam um modelo privilegiado para levar a ciência ao público, o modelo de um festival exige ir mais longe.

No fundo, um festival de ciência procura apresentar a ciência e a tecnologia de forma acessível a todos, a pessoas de todas as idades, com a mesma capacidade para surpreender e cativar que é esperada num festival de música, ou gastronómico, artístico, etc. Não pode basear-se em fileiras de mesas com experiências a decorrer sobre os seus tampos com o público a ver, participando ou não ativamente. Um festival tem de ser mais. Tem de envolver os participantes em todos os seus momentos e apelar aos vários sentidos e sensações.

Foi com este espírito que o FIC.A se apresentou ao público. Inspirado na tradição britânica, onde os festivais de ciência estão amplamente enraizados na sociedade (desde 1831!), o FIC.A instalou o formato do show de ciência como preferencial, aliando a uma exposição dinâmica e interativa da ciência e do conhecimento algumas vertentes mais inesperadas, como a sua ligação às artes (cinema, teatro, literatura, fotografia, artes plásticas, artes digitais, entre outras) e à gastronomia, ou o reforço dos conteúdos em áreas com uma elevada procura como o desporto ou o mar. É, por isso – e apenas assim –, um festival na verdadeira acepção da palavra.

O difícil, na realidade, é escolher onde estar em cada momento: numa plateia a deixar-se invadir e entusiasmar pelas mais recentes descobertas do mundo científico; num bar improvisado a descobrir o que afinal se esconde por detrás de comidas, petiscos e bebidas que tão bem conhece; frente a frente com investigadores a explorar o seu dia-a-dia e a pôr “as mãos na massa”; a tirar fotos para as redes sociais junto a dinossauros em tamanho real; a utilizar equipamentos de realidade aumentada para se imbuir em novos domínios; debruçado sobre o chão a remover a areia e terra que cobre ossos e objetos de tempos antigos; a correr ou a pular lado a lado com desportistas enquanto percebe como está a ciência envolvida nos seus feitos e recordes; numa exposição interativa ou “simplesmente” de fotografia capaz de o levar do microscópico à Amazónia; a folhear o mais recente livro de divulgação científica acabadinho de ser assinado pelo seu autor; num cinema que tão rapidamente retrata a vida de um grande cientista, como exibe um episódio de vida selvagem … Uma viagem única às mais diversas áreas da ciência, desde tudo o que envolve o corpo humano e os seus mistérios, a vida no planeta e tudo o que lhe está associada, até o que vai além das fronteiras da Terra, em direção à imensidão do universo.

Em 2021, o FIC.A acolheu mais de 120 parceiros, reunindo uma elevada representatividade nacional e internacional graças à participação de entidades de mais de 25 países. Trouxe a público um programa inédito que primou quer pela qualidade e diversidade, quer pela atenção dada à adequação dos conteúdos às várias faixas etárias e expectativas: um programa escolar, segmentado de acordo com os ciclos de ensino do pré-escolar ao secundário, um programa dirigido aos adultos e às famílias, atividades especialmente concebidas para pessoas de idade mais avançada, para professores, para comunicadores de ciência… O objetivo é fazer com que todos os participantes sintam que o Festival é para eles, que se sintam bem-vindos e que no regresso a casa vão mais ricos, mais abertos à ciência e mais disponíveis para participar neste e noutros eventos que procurem comunicar ciência e promover a cultura científica.

Uma sociedade mais assente em conhecimento, mais ciente e mais confiante no método científico e na sua importância para o bem-estar geral, é uma sociedade mais evoluída e mais capaz de lidar com os vários desafios a que é sujeita. E um festival é um ótimo contributo para este fim.

Assim, finda a época dos festivais de música, o país recebe um festival onde é a ciência a marcar o ritmo. A próxima edição do FIC.A – Festival Internacional de Ciência acontece nos dias 10 a 16 de outubro, em Oeiras, no futuro hub de indústrias criativas de Porto Salvo. O evento é promovido pela Senciência e tem no Município de Oeiras o seu principal apoio.

* Rúben Oliveira: Direção Científica do FIC.A – Festival Internacional de Ciência; cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, Ciências ULisboa

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