Da ideologia do género à pornografia – a distância de um clique

Da ideologia do género à pornografia – a distância de um clique
Maria Susana Mexia, Professora

A ideologia do género está cada vez mais implantada nos locais de ensino, desde a pré-primária até à universidade. Porém, nem todas as pessoas disso se apercebem e muitos desconhecem o seu alcance social e cultural, que já foi qualificado como uma verdadeira revolução antropológica. Não se trata apenas de uma simples moda intelectual, mas representa um movimento cultural com reflexos na família, na esfera política e legislativa, no ensino, na comunicação social e na própria linguagem corrente, que contrasta frontalmente com todo o nosso património civilizacional já adquirido. De acordo com a ideologia do género, ninguém nasce do sexo masculino ou feminino. Cada indivíduo deve construir-se a si mesmo a partir do modo como vive a sexualidade. Dessa maneira, é inaceitável falar-se em homem ou mulher. Em última instância, a própria biologia é considerada por eles como uma tirana, que deve ser combatida, e é na família natural que, segundo os ideólogos de género, essa tirania se manifesta de forma plena. Portanto, a família deve ser destruída.

A sexualidade marca o nosso modo de ser, sendo cada um ontologicamente masculino ou feminino, respectivamente, uma pessoa nasce com o sexo definido o qual constitui uma realidade que se reflecte em todos os seus actos. É inquestionável que ninguém tem uma sexualidade neutra, ou nasce menino ou menina.

Somos aquilo que somos e “brincar” com a identidade que nos pertence desde que existimos é uma grande ameaça, que pode ter elevados danos no foro antropológico, com inevitáveis desequilíbrios físicos, psíquicos, familiares e sociais.

Poderemos então perguntar a que se deve esta sub-reptícia propaganda e imposição da ideologia do género se nada tem de biológico, coerente, nem tão pouco faz algum sentido em termos sociais, culturais, espirituais, antes pelo contrário?

A triste realidade é que existem fortes e poderosos interesses económicos com grande influência financeira que minam as escolhas políticas de algumas das principais potências do mundo, as quais se vão reflectindo em todas as sociedades. O nosso país também não ficou imune, pelo que temos a imposição da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, embora camuflada com itens aparentemente indispensáveis e oportunos, mas não sendo mais do que o veículo de transmissão obrigatória desta disforia.

Reconhecendo que é um tema perplexo, transcrevo algumas passagens que me parecem muito elucidativas, na esperança de que ajudem a ficar mais claro o que de “per si”, é uma complicada e tenebrosa engenharia social.

“A ideologia do género visa, na verdade, desconstruir a especificidade feminina e masculina inscrita na configuração antropológica do homem e da mulher, a sua identidade única, a natureza feminina ou masculina, qualquer dado antropológico e, em particular, o papel da mulher como mãe e esposa. A distinção entre sexo e género opõe o corpo de uma pessoa à sua função social e à sua vocação. Quebra a unidade ontológica da pessoa, que se vê, digamos, divorciada de si própria. O corpo da mulher e a sua disposição para a maternidade tornam-se um inimigo a combater, uma realidade a negar. A maternidade torna-se um “estereótipo” a desconstruir. A mulher revolta-se contra a sua vocação específica. Denuncia o seu papel “reprodutivo” como uma injustiça social, impeditiva de se tornar igual ao homem em termos de funções sociais. Ela entende a maternidade apenas sob o ponto de vista social, abafando assim o seu carácter intimamente pessoal. A nova ética estipula que o acesso das mulheres à saúde sexual e reprodutiva é condição para que elas possam “libertar-se dos seus determinismos biológicos.” (…)

Esta assexualização está ligada ao crescimento do individualismo, desconstrói a configuração da pessoa humana como pai ou mãe, esposo ou esposa, filho ou filha, irmão ou irmã, dimensões antropológicas fundamentais que reflectem a própria estrutura do Amor.

Uma mulher que recusa ser mulher, mãe, esposa e irmã não pode ser complementar ao homem: nada poderia ser mais contrário à ideologia do género do que falar de complementaridade entre homem e mulher. (…)

Vale a pena recordar que depois de ter sido declarada a “morte de Deus” a partir do século XIX, a civilização ocidental vive agora a “morte do homem e da mulher”.

Também o Amor está a ser fortemente minado e distorcido pela pornografia, o despertar dos jovens para esta temática de forma compulsiva e desordenada, impele-os a procurar e difundir via internet, variados conteúdos pornográficos.

Um negócio muito rentável para os seus produtores, mas uma dependência muito perniciosa para a estrutura psíquica do consumidor, com efeitos danosos a nível cerebral, comportamental e social, provocando a degradação do ser humano.

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