Cemitério de Proença sem reconstrução

 Cemitério de Proença sem reconstrução

Meses depois da tempestade, o espaço de memória permanece degradado, gerando preocupação e apelos à intervenção urgente.

Já lá vão vários meses desde que a tempestade Kristin fustigou o nosso país, deixando pelas ruas rastos de destruição e, infelizmente, morte.

Por todo o lado, e apesar de já ter passado algum tempo, continuamos a ver pessoas a lutar, dia após dia, para reconstruir aquilo que a força da natureza mandou abaixo.
São homens e mulheres resilientes, que não se deixam vencer pelas adversidades da vida e que, com esforço e coragem, vão devolvendo vida aos lugares que foram atingidos.
Há uma imagem, que, passados tantos meses me continua a perturbar profundamente.
O estado em que se encontra o cemitério de Proença-a-Nova.
É ali que repousam os nossos familiares.
É ali que repousam homens e mulheres que fizeram parte da história do concelho, que trabalharam, lutaram e contribuíram para aquilo que hoje somos.
As árvores que tombaram foram retiradas. O portão foi removido.
As pedras que constituíam o muro foram amontoadas.
Mas, passados estes meses, onde está a reconstrução?
Como podemos nós aceitar que um lugar de memória, de respeito e de homenagem a tantas gerações permaneça com o aspeto de um cenário destruição?
Não estamos a falar só de árvores, muros e portões.
Estamos a falar de pessoas. De memórias. De famílias. De raízes.
Um cemitério não é um simples espaço físico.
É um lugar sagrado para quem ali tem alguém que ama.
É um lugar onde vamos recordar os nossos, onde procuramos silêncio, paz e dignidade.
Por isso, deixo aqui um apelo às entidades competentes:
Por favor, devolvam dignidade ao cemitério de Proença-a-Nova.
Reconstruam o muro. Reponham o portão. Recuperem o espaço. Façam com que aquele lugar volte a ser aquilo que deve ser.
Um espaço de respeito, homenagem e memória.
Aqueles que ali repousam deram muito à nossa terra.
Não merecem ser esquecidos.
E as suas famílias merecem poder visitar os seus entes queridos num lugar digno.
É ali que repousa a minha família.
E, tal como a minha, ali repousam as famílias de tantas outras pessoas de Proença-a-Nova.
Que este apelo não seja apenas mais uma voz perdida.
Que seja ouvido, e que finalmente se faça alguma coisa.
*Fátima Lopes

Para si... Sugerimos também...

Faça o seu comentário

Subscreva a nossa newsletter