Cada um no seu lugar

Cada um no seu lugar
Raquel Ruiz, Esposa e Mãe. Mestre em Direito

“Que preocupação há no mundo por mudar de lugar! – Que aconteceria se cada osso, se cada músculo do corpo humano quisesse ocupar um posto diferente do que lhe compete?
Não é outra a razão do mal-estar do mundo.
– Persevera no teu lugar, meu filho; daí, quanto não poderás trabalhar pelo reinado efetivo de Nosso Senhor!”.

Caminho, ponto 832

Ouvi nos últimos meses, em vários lugares diferentes, uma frase muito simples, mas muito profunda: que a nossa vida (referindo-se à vida dos cristãos) vai ser o único Evangelho que muitas pessoas não cristãs vão “ler”.

Esta ideia fez dar-me conta da enorme responsabilidade que temos os cristãos, e o enorme amor e confiança que o Nosso Pai tem em nós, embora sejamos muito conscientes que nós, por nós próprios, pouco sabemos e podermos fazer. Será o Espírito Santo a ir atuando em nós e a fazer de nós um instrumento de paz e aproximação dos outros até Deus.

No entanto, nós temos de fazer “a nossa parte”, viver muito perto de Cristo, com Cristo, mediante a oração e a vida sacramental. Só assim, poderemos efetivamente conhecê-Lo bem, amá-Lo bem e transmiti-Lo aos outros.

Mas tudo isto será, na maioria dos casos, no lugar onde estamos, que é onde Deus conta connosco. Conta connosco perto desse familiar mais ou menos próximo que se afastou da Igreja, daquele amigo com problemas conjugais ou do chefe que se esqueceu da parte humana da empresa. Não é por acaso que estamos ali, e a nossa presença não pode ser indiferente se de verdade queremos ser cristãos. Porque Jesus não era indiferente nem deixou de se preocupar com as pessoas próximas com quem tinha contacto. Não esperou grandes ocasiões para anunciar a Sua Palavra. Ali onde se encontrasse, anunciava o Seu Evangelho, e não são poucas as ocasiões que os evangelistas nos referem que Jesus indicava aos curados por Ele que regressassem as suas casas. A muito poucos pediu que deixassem tudo (material e logisticamente falando) e O seguissem. A grande maioria das pessoas que seguiram Jesus voltavam as suas casas, com as suas famílias e continuavam a realizar as suas tarefas, mas de um modo diferente.

Já outra grande Santa do seculo XX, Santa Teresa de Calcutá, dizia, que se queres trabalhar pela paz, vai para casa e ama a tua família. Podemos fazer muito, desde onde estamos (que é onde Deus precisa de nós), espalhar à nossa volta uma alegria serena, verdadeira, fecunda, fruto de sabermos filhos de Deus, e com a Sua Graça, se irá transmitindo nos ambientes por onde nos movamos. Nisto consiste a santidade para a maioria dos cristãos, em ser santos “de rua” ou santos “da porta do lado”. São Josemaria, com a Graça de Deus, viu isto claramente, e ele próprio animava aos seus filhos e amigos a ser apóstolos, para pouco a pouco, mas sem pausa, “provocar um primeiro círculo…; e este, outro… e outro, e outro… Cada vez mais largo.” (Caminho, 831)

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