Balanço do X Encontro Mundial das Famílias

 Balanço do X Encontro Mundial das Famílias

Francisco e Isabel Pombas

O casal Francisco e Isabel Pombas, em entrevista, fazem o balanço da participação no X Encontro Mundial das Famílias.

Que balanço podemos fazer?

FP

É difícil fazer um balanço porque o encontro está a meio. Foi feito um evento em Roma, mas entre hoje e amanhã, este encontro vai-se multiplicar por todas as dioceses do mundo, nomeadamente por muitas dioceses em Portugal. O balanço final será 2f, 3f, ou 4f quando começarmos os ecos dos vários encontros que estão a decorrer em Portugal. Estamos entusiasmados com todas as notícias, com todos os programas que nos fizeram chegar.

Sobre o que aconteceu em Roma, acho que há claramente um foco em revisitar a exortação, em várias questões, mas essencialmente na família enquanto caminho de santidade. É o tema do encontro, vocação e caminho de santidade, e portanto até o próprio formato testemunhal das conferências – poderíamos ser algo críticos desse formato e preferir conferências mais teológicas ou científicas, como ponto de partida para painéis mais testemunhais – mas o dar visibilidade com conferências mais testemunhais penso que o objetivo foi as famílias como vocação e caminho de santidade.

Como complemento disso, e ancorado nesses painéis, há claramente uma visibilidade, um foco, na missão: tornar o matrimónio não apenas numa vocação, mas consciencializar as famílias de que para além de uma vocação, o casamento, a vida familiar, têm uma função na sociedade e têm uma função na Igreja. Isso transpareceu do encontro.

Os testemunhos acabaram por tocar muito em vários aspetos….

IC

Sem dúvida que ajuda imenso, e sobretudo os patronos do encontro, Maria e Beltrame Quatrocchi, levam-nos a perceber que o matrimónio pode ser caminho de santidade. Para tal, não são precisos grandes feitos, basta vivermos o nosso dia a dia, estarmos atentos aos outros, fazeros trabalho social na Igreja e fora da Igreja… tivemos esses patronos onde nos podemos inspirar, e tivemos os testemunhos muito importantes, sobretudo o testemunho acerca do perdão, que foi muito tocante, não só pela perda dos filhos, mas também o perdão em todas as outras vertentes. Como foi um testemunho muito forte, faz-nos pensar que damos importância a coisas que não têm importância nenhuma, e a nossa santidade passa pela capacidade de perdoar.

Como é que se passam estes ensinamentos para o resto do país, dioceses e movimentos?

FP

Esse é o maior desafio. Já sentimos isso em iniciativas anteriores, o desafio é sempre ver quão fator multiplicador conseguimos levar para Portugal, para as dioceses portuguesas. Houve linhas pastorais de realçar, e essas têm de ser o foco do nosso próximo ano: claramente este documento do Dicastério sobre a preparação para o matrimónio. Foi algo que teve uma visibilidade tão grande e um apoio tão grande do Papa, que temos de o colocar na agenda, e isso é um desafio; mas também é desafiante a questão do acompanhamento nos primeiros anos do matrimónio. Em Portugal isso é feito nos movimentos e é um trabalho muito meritório, nós pertencemos às Equipas de Nossa Senhora, sabemos o que é isso, temos essa âncora no movimento, mas temos de arranjar estruturas paroquiais, diocesanas para que os casais que não pertençam a esses movimentos tenham esse apoio; e também algo que em dois painéis foi falado, que são os casais que têm dificuldades, haver estruturas que deem apoio a esses casais. Que os matrimónios a passar por dificuldade tenham apoio da parte das estruturas da Igreja. Isso são três diretrizes que levamos daqui e que queremos transmitir, com algum pensamento e estrutura, a todas as dioceses e movimentos em Portugal.

Falou do acompanhamento, mas é uma percentagem muito baixa, a realidade são números muito baixos quer no acompanhamento, quer mesmo na preparação para o matrimónio, de chegar a todos. Há uma incapacidade da Pastoral Familiar, das dioceses, de promoverem essa preparação para o matrimónio. O novo documento obriga a uma mudança de mentalidade?

IC

Obriga a uma mudança de atitude, que será difícil de conseguirmos, mas que seria importante chegar aos casais que estão fora das estruturas. Os casais que estão inseridos em movimentos, equipas de casais, Schoenstatt, estão próximos da Igreja e fazem essas preparações. A nossa preocupação é chegar aos outros casais que estão fora da Igreja e que muitas vezes não fazem a preparação ou a fazem num simples fim de semana. Como foi referenciado aqui no encontro, deveriam ter uma formação como a dos sacerdotes e os consagrados, muito mais longa.

FP

Este tema foi abordado pela AL e foi esquecido. Ao revisitar, fomos ver o que a CEP disse sobre o assunto, e esse documento, que tem 5 anos, diz, citando o ponto 24, «sobre a preparação próxima para o matrimónio: é urgente um novo dinamismo nas paróquias, movimentos e na vida da Igreja em geral em que se promovam grupos e namorados, atividades e encontros que possam ajudar e refletir e a viver a verdadeira preparação para a vida matrimonial». Quando a CEP colocou isto num documento, tínhamos a perspetiva de que isto fosse implementado, mas vimos que isto não é uma realidade. Penso que, depois do que aconteceu aqui, a missão principal do DNPF é ter um roteiro, dentro do próximo ano, para que isto chegue às dioceses e aos movimentos. Perceber se é através de projetos-piloto, selecionar paróquias… temos de conseguir pôr isto na agenda. Não é possível continuar a não dar visibilidade a este assunto. É determinante haver uma preparação próxima para o casamento que não é a preparação para a cerimónia do casamento, mas sim uma preparação para a vida matrimonial. Isso é determinante, até pela realidade do número de nulidades que se têm verificado. É fundamental que passemos a dar um valor maior, do ponto de vista da vocação, à vocação para a família. Temos um encontro que diz que a família é caminho de santidade, e depois na preparação para esse caminho não damos essa visibilidade.

Outra coisa que vem da nossa experiência é que há 25 ou 26 anos havia cursos onde se questionava o discernimento de perceber se os namorados estão mesmo com a pessoa certa, e não pode acontecer um mês antes do casamento, porque se for feita a pessoa sai da sala, por não ter coragem de responder. Tem de ser feita com tempo a ponderação.

Mas o documento existe e já está há cinco anos sem ninguém pegar nele… como é que se muda essa realidade?

IC

Pois… (risos)

FP

A pergunta é difícil, mas tem de ser feita e ainda bem que foi feita. Quando sairmos daqui vamos fazer reunião nossa…

IC

A dificuldade prende-se sobretudo com a aceitação ao nível das dioceses, ter os bispos a aceitarem… nós já falámos com alguns bispos e padres, sem nomear, que se mostraram reticentes a essa nova realidade, porque acham que isso irá afastar os noivos do casamento. Penso que o primeiro passo será sobretudo convencer o clero, desta necessidade, deste documento e da importância dele.

Para deixarem de ter medo das estatísticas?

IC

Sim, para se preocuparem menos com as estatísticas. Esse deverá ser o primeiro passo, e a partir daí iremos trabalhar isso. Nós, DNPF, fazemos parte da Comissão Episcopal, e serão os bispos dessa Comissão que nos têm de dizer “sim, vão em frente, vamos avançar com isto”. Enquanto isso não acontecer, temos de aguardar.

Olhando para o que as paróquias e as dioceses estão a preparar, como é que conseguimos capitalizar também esses pequenos eventos?

(risos) FP

Não conhecemos todas as realidades, mas há um aspeto, nestes encontros diocesanos, de encontro, de fazer com que as famílias se encontrem, celebrem esta alegria do casamento e do caminho de santidade juntas. Penso que Portugal tem ainda uma oportunidade fantástica, que é o caminho para a JMJ. Mesmo a questão da preparação para o matrimónio, será uma ótima oportunidade para a interpenetração entre a Pastoral Juvenil e a Pastoral Familiar, há que aproveitar isso, e há que aproveitar esta proximidade da JMJ como forma de aglutinar famílias, em que jovens e casais preparam juntos esse evento. Nós já identificámos há bastante tempo, temos promovido, e as próprias dioceses têm colocado nestes eventos momentos onde o tema central é o caminho para a JMJ. Penso que é uma ótima oportunidade este momento.

De qualquer das formas, nestes encontros, há uns mais de palestras, e mesmo nesses temas, estes temas têm seguimento, têm uma abordagem diocesana própria, que também é interessante, e há alguns que abordam estas questões pastorais a que demos realce.

NOTA: todos os textos, fotografias e vídeos são uma cortesia colaborativa da Agência Ecclesia, a Família Cristã, o Diário do Minho e a Associação de Imprensa de Inspiração Cristã

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