Amigos que vale a pena ter e com eles conviver

Amigos que vale a pena ter e com eles conviver
Dom Antonino Dias

Toda a gente gosta de ter amigos, muito mais os adolescentes e os jovens. No entanto, se se diz que quem tem um amigo tem um tesouro, é porque eles não andam por aí aos molhos, são raros. Há muita gente conhecida, é verdade, mas amigos amigos….

No dia 21 deste mês de junho, muita gente recorda uma dessas pessoas que muitos jovens e estudantes têm em grande apreço pela ajuda que ela lhes dá pelos caminhos da vida. É uma presença que anima, protege, conforta, estimula, tranquiliza. Quer o leitor saber de quem se trata?… A quem está a patinhar em certos debates, o moderador, impaciente, manifesta-lhe pressa em saber o que realmente interessa para passar à frente. O patinhador, continuando com o seu paleio inútil e sem esclarecer o que é perguntado, costuma afirmar: “lá chegaremos, já lá chegaremos!”… Constata-se, porém, que nunca ou raramente lá chega. Mas eu vou chegar, não estou a patinhar!

Como sabemos, a amizade ajuda à construção da identidade e à definição de valores, ideias e opiniões sobre si próprio, sobre os outros e o mundo, é capaz de rasgar autoestradas para as viagens da vida. Além disso, se em momentos mais complicados se pode contar com a lealdade, a ajuda e a confiança dos amigos, também se conta com eles para conversar, conviver, divertir e partilhar momentos felizes. Embora a traição dos amigos possa doer muito, há amigos que são extremamente leais, nunca falham. Antes de mais, porém, chamo a atenção para o Amigo por excelência. Ele é amigo de todos como se cada um fosse o único, não faz acessão de pessoas, não considera ninguém como número, a todos trata como amigos e a todos chama pelo nome, conhece muito melhor cada um deles do que cada um deles a si próprio, sempre estende a sua mão amiga e não falha, até deu a vida por cada um: é Jesus. Como amigo sincero em busca da nossa amizade, segredou-nos tudo quanto era possível acerca do seu Pai para que a sua alegria estivesse em nós e a nossa alegria fosse completa. E se Ele permanece firmemente fiel, também nos deu um critério para que possamos avaliar a nossa lealdade para com Ele. Disse-nos que seríamos seus amigos se nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou.

Frequentemente acontece que os amigos dos nossos amigos se tornam amigos comuns. Ora, os melhores amigos de Jesus são aqueles que aceitaram a sua amizade, a partilharam com Ele e os outros e hoje se encontram no gozo da felicidade eterna. A esses lhes vamos fazendo o cerco para que também sejam nossos amigos. Assim, referimo-nos aos santos como se de pessoas de família se tratasse, contamos com a sua amizade, oração e proteção junto de Deus. É certo que a primeira pessoa que reza por nós é o próprio Jesus que pediu ao Pai que todos fossemos um como Ele e o Pai são um. O que sustenta cada um de nós na vida “é a oração de Jesus por cada um de nós, diante do Pai, mostrando-lhe as feridas que são o preço da nossa salvação”, afirmou o Papa Francisco. Mas também o Espírito Santo nos ajuda na nossa fraqueza, Ele próprio intercede por nós (cf. Rom 8, 26-27).

E os santos? Como se traduz a sua amizade para connosco? Os santos “não cessam de interceder em nosso favor, diante do Pai, fazendo com que a nossa fraqueza seja assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna” (LG49). Esta nossa união com aqueles que adormeceram na paz de Cristo, não se interrompe, antes pelo contrário, é reforçada pela comunicação dos bens espirituais. E embora saibamos que todos os bens espirituais nos veem de Deus por meio de Cristo, todos gostamos de ter estes santos amigos a quem tantas vezes pedimos que se associem a nós, fazendo valer as nossas orações junto de Deus. E eles não regateiam isso. São Domingos, por exemplo, já moribundo, dizia aos seus confrades: “Não choreis, que eu vos serei mais útil depois da morte e vos ajudarei mais eficazmente que durante a vida”. E Santa Teresa do Menino Jesus afirmava: “Quero passar o meu céu a fazer o bem sobre a terra” (CIgC956).

Estes nossos amigos, porém, os santos, não usam a lógica que muita gente usa neste mundo. Eles não servem para meter uma ‘cunha’ a Deus para que Deus nos deixe entrar pela porta do lado, a porta dos interesses e do egoísmo. A lógica deles é outra, eles intercedem por nós e ajudam-nos quando nós queremos ser ajudados a aceitar os critérios da verdadeira amizade para com Jesus, a amizade que Ele nos tem e nos apontou. Assim, quando, por exemplo, falamos em Padroeiro ou Padroeira falamos de um Anjo, de Nossa Senhora ou de um santo ou santa, alguém que está junto de Deus e, por vários motivos e nossa devoção, é declarado ou considerado como nosso protetor e defensor junto de Deus. Ao longo da história, houve muita gente que marcou a diferença e hoje é apresentada como estímulo para todos.

Luís Gonzaga é um deles. Foi o primeiro de sete irmãos de uma família nobre e influente do norte de Itália. Seu pai traçara para ele um projeto de vida militar no qual o iniciou em tenra idade. Dada a sua condição social, Luís frequentava os ambientes ricos e aristocráticos da nobreza italiana. Nas pisadas que dava e nos serviços que ia prestando, inclusive como pajem do filho de Filipe II de Espanha, surpreendia sempre. O seu pensamento e maneira de estar e agir prendiam-se sempre com o saber se isso lhe serviria de alguma coisa para ser verdadeiramente feliz, neste mundo e no outro. Depois de algumas teimas consigo mesmo sobre qual o caminho a seguir, depois de séria reflexão, oração e ajuda de outros ao seu discernimento, foi determinado. Sendo, como filho mais velho, o príncipe herdeiro dos títulos e funções importantes de seu pai, a tudo renunciou e decidiu ingressar na Ordem dos Jesuítas. A sua determinação causou surpresa geral. O pai sentiu que todos os planos que tinha traçado para ele fracassaram, ficou de mau humor, tentou dissuadi-lo, mas foi impossível, ele queria ser padre: “É nisso que penso noite e dia”, disse ele ao pai. A doença, porém, deu vida curta a Luís Gonzaga, foi contagiado na sua constante dedicação aos doentes do tifo, vindo a falecer no dia 21 de junho de 1591. Os seus restos mortais encontram-se na Igreja de Santo Inácio, fundador da ordem Jesuíta, em Roma. Foi beatificado catorze anos após a morte. Mais tarde foi canonizado por Bento XIII e declarado padroeiro dos jovens e estudantes. No século passado, Pio XI declarou-o padroeiro de toda a juventude cristã. Felizes os jovens que encontram na vida uns amigos de carne e osso, uns ‘santos de ao pé da porta’ que os ajudem a crescer e a discernir o caminho certo nas encruzilhadas existenciais. Mas felizes também aqueles que gostam de ter na roda dos seus amigos os santos que já viveram as turbulências deste mundo e continuamente intercedem por nós, sendo luz e incentivo nos caminhos da vida. Conhecer o currículo de cada um é um desafio sempre enriquecedor e estimulante.

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