A vida é uma doença mortal

A vida é uma doença mortal
Susana Mexias, Professora

A saúde é o melhor bem que podemos ter e desejar. Todavia, é quando estamos doentes que o apreciamos de forma particular e com mais intensidade.

A vida desenrola-se com os inevitáveis matizes da doença e é nesta situação que a dignidade e a serenidade devem marcar uma presença forte onde o conforto, o carinho e a amizade são uma constante a criar e a defender.

A doença é uma escola de aprendizagem para todos, é preciso aprender a viver com ela, incluindo o próprio doente, mas sobretudo, a lutar pela vida, com paciência e esperança, sabendo que esta nos leva à descoberta de infindáveis capacidades para superar os limites da vida no tempo.

Numa sociedade marcada pela produtividade e pelo bem-estar material, urge preparar o doente para o desprendimento da vida e, naturalmente, para uma boa morte.

Se é importante ajudar a viver, não menos o é ajudar a morrer, transmitir conforto e tranquilidade ao final da vida, aos momentos após os quais se abrem as portas da eternidade.

Não entra dentro das nossas possibilidades eliminar o sofrimento, mas ele interpela-nos e conduz-nos à construção de uma nova perspectiva de sentido, mais amplo e global.

Uma característica do cristão é saber que Cristo no Evangelho não comunica apenas a realidade mas é uma boa nova redentora que gera factos e muda a vida.

A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi por Ele aberta de par em par, e esta mensagem de esperança traz-nos uma vida nova.

A capacidade de aceitar a tribulação e a dor conduzem a uma aprendizagem de fé, com os olhos postos em Deus, sabendo que Ele não nos abandona, antes é o caminho para o sentido do sofrimento.

No meio das contradições há que lançar a âncora da solidariedade, da palavra de um amigo que conforta e estimula a fé que está dentro de nós, duma oração ou sacramento, dos quais a Unção dos Doentes é a melhor prenda que se pode dar, pois é um bilhete seguro para o Céu.

A nenhum doente falta a presença de Deus, ainda que o ignore ou o não aceite. A ajuda espirítual é também um direito que ele tem, e todos devem respeitar os valores morais, culturais ou religiosos que a cada homem assistem. Estado laico não significa ateu e muito menos anti-clerical, aliás a tolerância é (deverá ser) um apanágio de toda a Democracia.

Quando se sofre não estamos sós, Deus compadece-se de nós e está ao nosso lado. O sentido da agonia é uma abertura à nova vida: ela converte-se numa vitória sobre a imanência, naquele instante no qual o presente e a eternidade se tocam e onde o tempo que falta encontra a transcendência que o completa.

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