A uns o brinde, aos outros, a fava

A uns o brinde, aos outros, a fava
João Paulo Marrocano

Atingimos neste passado mês de Julho, um quarto de século de uma medida governativa que tinha como missão ajudar a erradicar a pobreza estrutural em que se encontravam alguns dos cidadãos portugueses. Chamaram-lhe na altura Rendimento Mínimo Garantido. Com a evolução dos tempos, e com a constante evolução dos nomes que pomposamente se dá a tudo, sem alterar nada, passou a chamar-se rendimento Social de Inserção.   

     Esta medida, diga-se que de uma nobreza invejável, tem tanta vez sido usada de forma corriqueira e errada que o que não faltaram ao longo destes 25 anos foram governantes a gritar alto e bom som sucessivos recordes de beneficiários. Ora, o sucesso no combate à pobreza não se mede pelo número de beneficiários das medidas existentes, mede-se pelo número de pessoas que não precisam delas.      

     Esta medida tem servido de mote a uma crispação política e social da nossa sociedade. Tanta vez conotada a sua atribuição em função da raça ou cor da pele, acaba por se tornar mesmo numa medida maléfica para quem dela não usufrui, mas integrada neste estrato societário. A realidade é que as notícias que vão chegando até nós não deixam margem para duvidas, esta medida tem sido atribuída de forma leviana, sem objectivos concretos e sem responsabilização dos intervenientes. A inercia das instituições, a falta de fiscalização e a ideia de que os problemas estruturais da sociedade se resolvem com dinheiro, muito contribui para isso. De resto, pouco ou nada, foi feito em matéria de educação, reabilitação e responsabilização daqueles a quem o poder político prefere “entregar um peixe” que “ensinar a pescar”.    

     Depois, enquanto somos entretidos com os prós e contras de tal medida, há uma outra que vai sendo aplicada, mas que vai passando completamente despercebida da sociedade.

     O “RENDIMENTO MAXIMO GARANTIDO” tem sido invariavelmente atribuído a cidadãos de refinado requinte. Existe na nossa sociedade uma espécie de vírus que se alimenta vorazmente dos nossos impostos. Dezenas e dezenas de titulares de cargos políticos circulam por uma espécie de “estrutura circular” que lhes garante sempre um alto cargo num qualquer instituto de garantia aos subsídio-dependentes do orçamento de estado.

     É preocupante a rotação entre institutos tanta vez desnecessários, feitos à medida dos destinatários para que o seu alto salário não falte. Tivemos recentemente o exemplo de um ex-ministro que nos fez crer a todos que não dependia da política para viver e foi dar aulas para uma universidade lá do outro lado do Atlântico, viríamos depois a saber que afinal a dita universidade tinha recebido 3 milhões de euros pagos por uma empresa portuguesa dependente das políticas do ex-ministro. Afinal de contas a competência do ministro estava dependente do nosso suor colectivo.

     Tudo normal num país que achou normal ter um ex-primeiro ministro indiciado por corrupção a ser pago com os nossos impostos para comentar o estado em que deixou a nação num canal publico de televisão.

     No final, o país parece um bolo rei de antigamente, uns ficam com o brinde, aos outros calham as favas.

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