A morte que nos une ao mundo

A morte que nos une ao mundo

imagem retirada https://bomdia.eu

João Paulo Marrocano

Normalmente é a efeméride de um feito histórico que define o dia nacional de um país. Espanha, França, Alemanha, EUA, Brasil, e muitos outros, são disso exemplo. Portugal celebra uma morte, a morte do nosso poeta maior Luís Vaz de Camões. A 10 de Junho comemoramos a data de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Celebramos este dia de forma mais ou menos regular desde 1880, na passagem dos 300 anos da morte do poeta.

     Não deixa, todavia, de ser esta data o assinalar de um feito, não de um em concreto, mas de um período épico no seu geral. Incontornavelmente Portugal ficará para sempre unido ao nosso planeta pela epopeia dos descobrimentos do Sec. XV e início do Se. XVI. A nossa língua, a nossa cultura e a nossa alma colectiva deixaram marcas inconfundíveis, mais ou menos presentes em todos os continentes.

     As manifestações de portugalidade ocupam espaço e destaque onde qualquer homem se sente português, mesmo que não o seja de nacionalidade. Manifestam o seu amor a Portugal os cidadãos da Galiza, de Olivença, dos PALOP ou dos mais distantes e longínquos Timor, Macau ou antiga India Portuguesa. Também nos territórios para onde os portugueses emigraram à procura de melhores oportunidades a data é de festa. França, Canadá ou EUA são dessa paixão pela pátria distante um bom testemunho.

     Por fim, e porque os últimos são sempre os primeiros, importa lembrar o papel decisivo das nossas Forças Armadas na dignificação e afirmação mundial e Portugal. Desde as brumas perdidas na memória das conquistas aos Mouros, ou à expansão além da Península Ibérica, foram elas que deram corpo à globalização do mundo a partir deste rectângulo à beira mar plantado.

     Num passado mais recente, num sinal de novos tempos, foram as nossas Forças Armadas os grandes embaixadores de Portugal no mundo moderno. Desde os processos de paz em Moçambique ou Angola, no Kosovo ou na Bósnia, no Afeganistão ou República Centro Africana. Nos processos de cooperação técnico-militar no Iraque, Cabo Verde ou Mali, no combate à pirataria no Golfo da Guiné ou na costa da Somália.

     Infelizmente parece que somos hoje invadidos por uma espécie de “historiadores” que a todo o custo tentam reescrever a nossa história. A nossa história, mesmo não sendo perfeita, não é alienável, não se apaga nem se altera. Temos sim o dever de a preservar, de a estudar e compreender, não à luz dos nossos dias, mas de a tentar perceber no contexto da sua época.

     Somos hoje invadidos por uma classe política emergente que não tem pudor em demostrar o seu ódio a Portugal e ao seu povo, á nossa história e nossa cultura. Trocam o “Pão por Deus” pelo Halloween e do Jardim Praça do Império fazem pastagem para ovelhas. Lentamente acendem a forja do ódio. Lentamente constroem as ferramentas com que sonham destruir o Padrão dos Descobrimentos.

     Sim, devemos muitos olhares de arrependimento aos escravos de África ou aos Índios da Amazónia. Num passado mais recente devemos um pedido de reconciliação ao povo de PIDJGUITI e WUIRIAMU. Ao povo de Timor temos que pedir duplamente desculpa, pela invasão Japonesa na II Guerra Mundial e pelo abandono em 1975. Ás vezes temos que pedir desculpa a nós próprios.     Que este 10 de Junho seja dia de abraçar o mundo com a nossa esfera armilar. Pelo debate cada vez mais frontal de algumas das nossas antigas províncias ultramarinas a querer voltar a ser Portugal. Pelo cada vez maior interesse mundial em aprender a nossa língua, em conhecer o nosso património cultural ou a nossa história levam-nos à responsabilidade histórica de assumir o nosso espaço universalista. São estes os sinais que provam ao mundo que a muito poucos devemos explicações. São estes os sinais do quanto somos diferentes neste mundo de povos iguais.

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2 Comentários

  • Pra quem não conhece a verdadeira história do Brasil, é bom pesquisar um pouco.

  • Muito poucas vezes li num órgão de Comunicação Social, expor com tanta clareza o que nós fomos a partir do seculo XV e seguintes. E o devíamos continuar a defender se não fosse a tacanhez daqueles que nos representam ou deviam representar, e defender a dignidade de um povo que na Europa é talvez o mais secular como Nação. Isto escrito por um humilde Órgão de Comunicação Social Regional, é sim EXTRAORDINARIO.
    Bem hajam e continuem por muitos e bons anos.

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