A cultura de morte – uma nova ordem social imposta

A cultura de morte – uma nova ordem social imposta
Susana Mexias, Professora

A cultura de morte é uma estratégia que pretende formar uma nova ordem social a partir da desconstrução da cultura cristã, a qual foi o grande alicerce de toda a civilização ocidental.

Actuando na modificação de todos os conceitos de vida e família, através de vários meios e patrocinada por grandes fundações internacionais, que querem impor um novo modelo de “humano”, pressionam governos e sociedades por meio de inúmeras modalidades de extermínio camufladas em “direitos”, como o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido, falsamente justificadas como sendo “progresso científico”, com o objectivo de implementar a nível mundial um sem número de práticas eugenistas.

O século XX, foi notoriamente marcado pela sombra devastadora da morte: duas guerras mundiais, uma vasta quantidade de guerras civis, os milhões de mortos pelo nazismo e pelo comunismo, genocídios contra vários povos, como os arménios, ucranianos, cambojanos e ruandeses, guerrilhas, regimes ideológicos repressores, terrorismo institucionalizado, acções cada vez mais virulentas de máfias internacionais e poderosas organizações de tráfico de drogas, armas e seres humanos.

A primeira resistência à liberalização sexual iniciada nos anos sessenta do século XX, partiu da Igreja Católica, para a qual a vida de cada pessoa é sagrada e deve ser protegida.

John Rockefeller III, com fortes aliados no seio da igreja, tentou dissuadir o Papa visitando-o, mas não teve sucesso. No dia 4 de outubro desse mesmo ano de 1965, Paulo VI fez um discurso às Nações Unidas no qual ficou claro que a santidade da vida não aceita a contracepção: «É na vossa assembleia que o respeito pela vida, mesmo no que se refere ao grande problema da natalidade, deve encontrar a sua mais alta missão e a sua mais racional defesa. A vossa tarefa é agir de modo a que o pão seja abundante à mesa da humanidade, e não favorecer um “controlo” artificial dos nascimentos, que seria irracional, com a finalidade de diminuir o número dos convivas no banquete da vida».

 Porém Paulo VI estava já a trabalhar na sua Encíclica Humanae Vitae, que apesar de imensas resistências mesmo dentro da Igreja, foi publicada no dia 25 de Julho de 1968.

Prevendo as consequências que podiam resultar destas mudanças de costumes, revelou de forma muito clara a imoralidade dos métodos de controlo de natalidade, que se espalhavam pelo mundo com uma onda crescente e surpreendente de mentalidade mortífera da vida, em particular, a intrauterina, com o aborto.

Em 25 de julho de 1995, São João Paulo II, alertou a Igreja acerca desta realidade que se fixou após os anos 60 e se foi agravando de forma ininterrupta. Na Encíclica Evangelium Vitae analisou e, ao mesmo tempo, reiterou a sua preocupação sobre a situação cultural que se impunha com a finalidade de se opor aos valores da vida e da família.

O Santo Papa conseguiu perceber uma crescente desconstrução, que criou bases de actuação dentro e fora da Igreja, influenciando o mundo inteiro,   que denominou por “cultura de morte” e segundo ele, “é activamente promovida por fortes correntes culturais, económicas e políticas”.

Esta estratégia de mortandade foi denunciada desde sempre com ênfase e força pela Igreja, os Papas estavam atentos e informados dos processos de mudança que estavam fustigando o mundo em especial após os anos 60 do século passado.

O Papa Francisco apelidou-a de “cultura do descarte”, incluindo também no conceito de descarte as práticas de exclusão de pessoas e povos considerados “indesejáveis”, por serem pobres ou “improdutivos”, quando vistos de uma perspectiva utilitarista.

A actualidade cultural contemporânea, herdeira de dois séculos de secularização forte, defensora do hedonismo, do utilitarismo e ausente do sentido transcendente da vida, está mergulhada num vazio nihilista, procurando a salvação numa idealista atitude prometeica de falso criador, convencida que anulando o valor da Criação e do cariz divino do ser humano, o pobre mortal poderá ser um pequeno deus.

A tragédia da humanidade é consequência da ausência da visão de Deus na sociedade e no mundo, da certeza da nossa criação à Sua imagem e semelhança, pela qual adquirimos a dignidade de Ser Pessoas, com alma racional e imortal a cuja grandeza se acrescenta a Liberdade de filhos e não de escravos. Buscar a Jesus Cristo, conhecê-Lo e viver de acordo com os Seus ensinamentos, eis o Caminho, a Verdade e a Vida, a saída da imanência rumo à transcendência, ao Absoluto, ao Todo que jamais terá fim.

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