Os escravos que nos alimentam

Os escravos que nos alimentam

Inicia-se este mês de Maio com o dia do trabalhador. Normalmente destinado a homenagear todos os que ao longo dos tempos lutaram por melhores condições de vida, serve também para olhar o presente e planear o que o horizonte nos reserva.

Neste 1º dia, as notícias vão invariavelmente parar a Odemira. Ainda que o propósito das notícias seja a pandemia, é impossível ficar indiferente ás condições de trabalho a que milhares de imigrantes estão sujeitos.

Portugal inteiro, por toda a sua história humanista e universalista tem a obrigação moral de se envergonhar desta situação. Tem o dever moral de resolver rapidamente o problema, seja ele laboral ou criminal. Há padrões mínimos de dignidade humana a respeitar, em especial para quem quer ganhar o seu pão de cada dia com o fruto do seu trabalho. Seguramente ninguém gostaria de ver os milhões de portugueses que trabalham por esse mundo fora tratados desta maneira.

Os mais desatentos descobriram que afinal os alimentos não se produzem nas prateleiras de hipermercado. Exigem trabalho, muito trabalho. Trabalho esse que os portugueses não estão disponíveis para realizar. Durante anos, numa conversa de modernização e aproximação aos padrões de vida da União Europeia, quase se forçou toda a gente a ser “doutor”, o trabalho agrícola passou a ser olhado como trabalho para gente inferior. A par disso, uma família política desta pobre nação tratou de garantir um rendimento mínimo a quem não se quer sujeitar ao árduo trabalho do campo.

O governo, incapaz de cuidar do património publico (temos aqui bem perto o Colégio de São Fiel como exemplo dessa incompetência) tratou de ocupar propriedade privada para minimizar o problema. Esta espécie de PREC em pleno sec. XXI trará pesadas consequências ao país, numa altura em que a nossa economia precisa como nunca de novos investidores, a confiança no estado fica irremediavelmente afetada.

Também todos aqueles que que normalmente se manifestam por tudo e por nada, desta vez se remeteram a um profundo silencio de traição. Há infelizmente vidas que não importam.

Não importam estas vidas a vegans, amigos dos animais ou ambientalistas. O azar destes trabalhadores é que não trabalham em explorações pecuárias, nem culturas super intensivas de olival, amendoal ou abacates. Se assim fosse, nenhum de nós dormiria com os gritaria dos agitadores do costume. Para azar destes milhares de homens e mulheres, o seu trabalho consiste especialmente em produzir alimentos da moda.

Não importam estas vidas também ás esquerdas radicais, disponíveis para fazer manifestações sempre que do outro lado do Atlântico alguém é mal tratado, mas a quem estas vidas pouco importam. Porque? Por dois vetores fundamentais. Por um lado, estes migrantes não são refugiados facilmente manipuláveis. São trabalhadores em busca de um futuro melhor para si e para a sua família, mesmo que isso implique sacrifícios sub-humanos. E se há coisa que as esquerdas radicais não perdoam é que as pessoas pensem e lutem por si, a esquerda quer as pessoas bem adestradas e dependentes. O segundo vetor é que Portugal não tem no governo um Trump ou um Bolsonaro, tem um António Costa, e quando o assunto é sério, esta esquerda radical não se atreve a “morder” a mão que lhe dá de comer. E sejamos claros, António Costa é um hábil domador da alcateia que o rodeia, sabe como a alimentar.

Desta vez não haverá “activistas de sofá”, ou de manifestações por tudo e por nada a gritar por estes novos escravos.

Hoje era um bom dia para Portugal inteiro se envergonhar e pedir desculpa a esta gente, infelizmente ainda não é o dia.

*João Paulo Marrocano

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