Oleiros: Município adquire veículos elétricos de apoio à mobilidade
Recuperar barragem e criar banco de terras

A Associação da Amoreira, criada em 1998, nasceu como Junta de Agricultores de Regadio Tradicional para gerir o sistema de rega proveniente da charca do Vale da Ovelha.
Com o tempo, a associação foi alargando o seu papel à vida comunitária, organizando atividades socioculturais que vão desde almoços-convívio à celebração do Dia Nacional do Moinho, passando pela tradicional desfolhada e o magusto.
Hoje, a aldeia conta com cerca de 30 habitantes, metade dos quais com menos de 18 anos, num sinal de esperança para o futuro da comunidade.
O Jornal de Proença esteve à conversa com o seu presidente, José Luís Martins Alves.
Como nasceu a Associação da Amoreira?
José Luís Martins Alves: A associação surgiu em 1998, quando a comunidade percebeu a importância de organizar a gestão do regadio. A charca do Vale da Ovelha, construída com apoios da União Europeia, permitiu dar nova vida às terras da aldeia. Decidimos criar uma estrutura única que juntasse tanto os agricultores como quem quisesse participar apenas nas atividades culturais. Assim temos dois tipos de sócios: regantes e não regantes.
Que papel têm as charcas do Vale da Ovelha e do Colmeeiro?
José Luís Martins Alves:
Temos duas charcas. A do Vale da Ovelha é a mais importante porque alimenta o regadio tradicional. Já a do Colmeeiro funciona sobretudo como ponto de água para combate a incêndios. Ambas são fundamentais, mas a do Vale da Ovelha precisa urgentemente de obras de vedação e requalificação, porque perde água devido a fissuras e ao tipo de solo.
Quais são os principais objetivos para o futuro?
José Luís Martins Alves:
O nosso grande sonho é recuperar a barragem do Vale da Ovelha e melhorar a sua descarga, para garantir água de qualidade para os campos. A seguir, queremos valorizar as terras em redor da aldeia, colocando-as a produzir e criando condições para atrair quem queira cultivar. Para isso, será fundamental criar um banco de terras que organize os terrenos e facilite o acesso a novos agricultores.
E em termos de financiamento, qual é a situação atual?
José Luís Martins Alves:
Infelizmente, temos um problema sério. O projeto inicial estava orçado em cerca de 48 mil euros, mas com o aumento dos custos já ultrapassa os 110 mil euros. Neste momento só temos o apoio de 5 mil euros da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, o que é insuficiente para a intervenção necessária. Estamos a tentar encontrar soluções faseadas e apoios comunitários, mas é um processo moroso.
Além da agricultura, que papel tem a Associação na vida da aldeia?
Temos muito orgulho nas nossas atividades culturais. Fazemos almoços, o passeio da aldeia — este ano fomos até Campo Maior com o apoio da Câmara —, o magusto, a festa do padroeiro São Sebastião, a desfolhada e participamos no Dia Nacional dos Moinhos. É uma forma de manter viva a tradição e reforçar os laços da comunidade.

Um projeto com futuro
A Associação da Amoreira é hoje um exemplo de como uma comunidade pequena pode unir-se em torno de um objetivo comum: valorizar a agricultura tradicional e revitalizar a vida rural.
Apesar das dificuldades financeiras e burocráticas, José Luís Martins Alves mantém a esperança:
“Com um banco de terras e a recuperação da barragem, a Amoreira pode voltar a ser um espaço agrícola produtivo e atrativo, onde as pessoas tenham gosto em viver e cultivar.”
