Perfis financeiros: Tendências de consumo e o caminho para o bem-estar financeiro

 Perfis financeiros: Tendências de consumo e o caminho para o bem-estar financeiro
<span class="info-article">Artigo de autoria</span><br/>Paulo Ferreira

Artigo de autoria
Paulo Ferreira

Licenciado em Matemática Aplicada e com pós-graduação em Atuariado e Gestão de Riscos Financeiros. Vem falar-nos sobre Literacia Financeira, numa parceira estabelecida com o Jornal de Proença.

Estimado Leitor,

Mais uma quinzena ultrapassada e aí temos mais um artigo do nosso projeto sobre Literacia Financeira. Neste artigo trataremos de uma temática muito importante, vamos identificar e detalhar os vários perfis financeiros relacionados com as tendências de consumo, bem como o possível caminho para o bem-estar financeiro, em cada um desses posicionamentos.

O bem-estar financeiro não depende apenas da dimensão do património financeiro, mas da forma como cada pessoa pensa, sente e age em relação ao dinheiro. Cada perfil financeiro revela uma atitude mental e cada uma traz consigo oportunidades e desafios para o devido equilíbrio.

Efetuada esta ligeira introdução, começamos por destacar que os quatro perfis financeiros que devemos analisar são: Controlado, Económico, Descontrolado e Gastador.

Destes perfis, dois são mais focados no Controlo

  • Controlado (Segurança em primeiro lugar)
  • Económico (Planeamento é poder)

Os outros dois são mais virados para o Prazer

  • Descontrolado (Montanha russa emocional)
  • Gastador (O prazer do agora)

Entrando agora no detalhe de cada um destes quatro perfis financeiros, no que diz respeito à postura habitual e margem de evolução, é importante realçar:

Controlado (Segurança em primeiro lugar)

Postura: Sente-se tranquilo quando tudo está sob controle, é muito disciplinado, evita dívidas e vive dentro (ou abaixo) das suas possibilidades.

O bem-estar financeiro vem da previsibilidade e segurança, mas o risco é transformar prudência em privação.

Margem de evolução: Deve encontrar equilíbrio entre poupar e viver o presente, percebendo que o dinheiro é uma ferramenta, não apenas para garantir proteção, mas também para gerar experiências interessantes na nossa vida.

Económico (Planeamento é poder)

Postura: Sente-se bem quando tudo está contabilizado. Utiliza (com algum exagero) orçamentos, projeções, gráficos, folhas de cálculo, …, que lhe dão uma sensação de domínio.

O bem-estar financeiro vem do controle racional, mas o excesso de planeamento pode causar ansiedade e rigidez.

Margem de evolução: Deve cultivar flexibilidade emocional e reservar espaço para o prazer, porque bem-estar também é saber desfrutar (com alguma liberdade de espírito).

Gastador (O prazer do agora)

Postura: Associa o dinheiro à liberdade, socialização e alegria. Ausência de reserva pode transformar prazer em preocupação.

O bem-estar financeiro é momentâneo, nasce apenas do consumo e experiências de curta duração.

Margem de evolução: Deve equilibrar o “viver agora” com objetivos de médio prazo e efetuar esforço para compreender que a liberdade verdadeira vem da autonomia e não do impulso.

Descontrolado (Montanha russa emocional)

Postura: Vive entre a intenção e a frustração. Quer poupar, mas não sabe como e oscila entre motivação e culpa.

O bem-estar financeiro é muito frágil, mas é um perfil com bom potencial de transformação visto que reconhece o problema e que deve solicitar apoio.

Margem de evolução: Solicitar apoio e criar simples estrutura (planeamento, controle e poupança). Mais do que muitos números e estatísticas, necessita de alguma organização, clareza e consistência sobre o “caminho” a seguir.

Concluída a apresentação dos vários perfis financeiros, e no sentido de facilitar a análise de cada um dos nossos estimados Leitores, serão importantes algumas observações e reflexões finais.

O bem-estar financeiro não está somente em gastar ou poupar, está em viver em coerência com os nossos valores e objetivos de curto, médio e longo prazo. Cada perfil pode alcançar tranquilidade financeira desde que aprenda a equilibrar razão, emoção e propósito, e nesse sentido, não será adequado afirmar que um perfil é mais eficaz ou mais conveniente.

Todos temos um perfil predominante e é importante reconhecê-lo e entender como influencia as nossas decisões. Cada perfil tem limites positivos e negativos e é justamente aí que a consciência faz a diferença. Quando identificamos esses padrões, conseguimos ajustar comportamentos, equilibrar razão e emoção e tomar decisões financeiras mais saudáveis e sustentáveis.

Para além disso, todos apresentamos traços de cada um destes quatro perfis financeiros, tudo depende do momento da vida e da forma como reagimos ao nosso contexto financeiro. Existem fases em que sentimos necessidade de ser mais controlados (porque precisamos de tranquilidade e segurança) e outras em que sentimos necessidade de ter comportamentos mais gastadores (porque queremos viver e desfrutar do momento). É normal e humano apresentarmos estas várias dimensões temporais porque só temos uma vida e a mesma é composta de diversas experiências.

É importante efetuarmos este tipo de reflexão já que o tema, apesar de parecer algo teórico, é muito prático e real. Este tipo de análise e discussão pode conduzir-nos para um caminho mais positivo nas nossas vidas, no que diz respeito às finanças, porque, como referido anteriormente, o bem-estar financeiro de cada um de nós não depende apenas do saldo da nossa conta bancária, mas essencialmente da forma como pensamos, sentimos e agimos em relação ao dinheiro, nas diversas fases da nossa vida.


O presente artigo já vai extenso e vamos terminar por aqui. No próximo, e porque os temas estão de alguma forma relacionados, iniciaremos a abordagem à gestão do orçamento pessoal e familiar, designadamente, em que consiste um orçamento, tipos de orçamentos, que rúbricas devem contemplar, medidas corretivas a aplicar em caso de desvios, atitudes a evitar, recomendações a seguir, …, entre outros tópicos.

Boa reflexão e até breve …

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