Opinião: Uma Nova Era para Proença-a-Nova – Por Uma Alternância Necessária

 Opinião: Uma Nova Era para Proença-a-Nova – Por Uma Alternância Necessária
Vitório Rosário Cardoso
Deputado Municipal
do PPD/PSD

As eleições autárquicas em Proença-a-Nova em 2025 trouxeram consigo uma onda de mudança e renovação geracional de quadros políticos que não pode ser ignorada. Enquanto deputado municipal do PPD/PSD, sinto o dever de analisar com rigor e transparência aquilo que está em causa no nosso concelho e de partilhar convosco, leitores do Jornal de Proença, as conclusões a que cheguei. O que se passou nas urnas em Outubro passado revela muito sobre o sentir popular e sobre a necessidade premente de alternância, dinamismo e verdadeira defesa dos interesses locais a partir propostas e projectos concretos e inspiradores de confiança e estímulo.

O Partido Socialista, que durante décadas dominou o executivo camarário, sai desta eleição visivelmente enfraquecido. Os resultados demonstram, de forma inequívoca, que há um cansaço generalizado perante a persistência das mesmas práticas e a falta de abertura a novas ideias e por essa mesma razão a lista para a Assembleia Municipal obteve mais mandatos efectivos e que nos permitiu reconfigurar os elementos que compõem a bancada e que hoje é liderada pela Daniela Dias José, uma líder nata e já um grande quadro político de Proença-a-Nova, tendo já servido no gabinete da Ministra da Administração Interna e é hoje também Directora de Recursos da Protecção Civil.

Cada vez mais, e após esta saga eleitoral das presidenciais, um em cada três eleitores de Proença-a-Nova rejeita o PS e qualquer candidato associado à máquina socialista. Este sinal claro de insatisfação não deve ser desvalorizado ou subestimado, muito menos desrespeitando, num momento em que André Ventura enquanto candidato presidencial nem se lembrou de visitar Proença-a-Nova, quando o Partido Socialista local deu tudo pelo seu candidato na sua visita da praxe e curioso é registar que António José Seguro valeu um pouco mais de um punhado de votos em comparação com os 2596 votos de João Lobo, restando indagar de onde os votos foram transferidos.

A inédita eleição de um vereador do partido Chega, do Custódio Lopes, é um marco histórico no nosso concelho. Mais do que uma simples vitória eleitoral, representa o desejo de mudança que percorre largos setores da sociedade proencense mirando na alternativa à direita. Esta novidade política impõe ao executivo camarário do PS uma reflexão profunda: a pluralidade na vereação fragiliza o poder absoluto e obriga à negociação, à transparência e à responsabilização dos seus atos.

Há uma consistência notável no eleitorado de centro-direita à direita em Proença-a-Nova, que se evidencia quando comparamos os cerca de 1300 votos em André Ventura nas eleições presidenciais com os mais de 1300 votos na lista “Proença Primeiro – É tempo de mudar (PPD/PSD e CDS-PP)” à Assembleia Municipal nestas autárquicas de 2025. Esta convergência não é fruto do acaso: demonstra uma base sociológica sólida, fiel às alternativas ao PS, o que confirma que o desejo de mudança está enraizado e não depende de modas ou conjunturas. É preciso reconhecer esta estabilidade e usá-la como alavanca para construir uma maioria alternativa e credível.

Outro aspeto relevante em Proença-a-Nova é o varrimento por completo do Partido Comunista dos principais órgãos autárquicos e sem qualquer tipo de penetração do hoje já defunto Bloco de Esquerda. Esta rejeição da extrema-esquerda pelos eleitores de Proença-a-Nova reforça a ideia de que o espaço político se está a reconfigurar, abrindo caminho para novas dinâmicas e para um debate mais alargado, plural e sem ideologias totalitárias como pano de fundo e absolutamente derrotadas na Guerra Fria.

Se, a tudo isto, acrescentarmos aos resultados eleitorais os das legislativas de 2025 poderemos estar aqui a testar a elasticidade do voto às direitas o que acabará por cifrar em mais de 2900 votos, recordando que o Partido Socialista venceu a Câmara por 2596 votos. A base sociológica capaz de votar em propostas do centro-direita às direitas está toda cá, mas cabe-nos enquanto eleitos, mesmo na oposição, demonstrar trabalho, dinamismo e rasgo merecedor de um futuro voto de confiança.

Aos que se abstiveram ou que não tiveram condições de ir votar ou ainda aos que duvidam do verdadeiro impacto do seu voto, deixo um apelo convicto: juntem-se a nós, ao PPD/PSD, na defesa intransigente dos interesses de Proença-a-Nova, dos interesses da sua população. A abstenção só serve para perpetuar o que está mal e atrasar o desenvolvimento do nosso concelho. É chegada a hora de cada voz contar, de cada voto ser uma mensagem clara de exigência e de esperança. Temos toda a humildade em reconhecer os nossos erros do passado, mas garanto que temos toda a ambição de ter uma Proença-a-Nova mais próspera, dinâmica e povoada trazendo de volta todos os filhos, netos, bisnetos e demais descendentes de Proença que foram para fora e não mais regressaram.

Juntos, no respeito pela diferença e com confiança no futuro, num apelo à convergência dos que votam às direitas até aos que estão desiludidos, e muitas vezes com razão, com a política, creio que seremos capazes de construir uma Proença-a-Nova mais livre, mais solidária, mais justa, mais próspera e onde o elevador social funcione. A mudança não é apenas possível; é inevitável, se todos acreditarmos e nos mobilizarmos para a concretizar. Vamos fazer Proença-a-Nova grande de novo!

*Este artigo não vincula nehuma posição do partido, da bancada, da coligação a que pertenço, mas apenas a minha visão e análise pessoal da actual situação política. Gostaria de, a partir de hoje, receber críticas construtivas dos leitores, mesmo que sejam críticas muito duras, sugestões, propostas ou apenas comentários para vos responder semanalmente em artigos que vou publicando e poderá fazê-lo na caixa de comentários do Jornal de Proença ou directamente, se preferir maior confidencialidade, para o meu correio electrónico: vitoriocardoso@netcabo.pt

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