Semana de oração: prendas para o amanhã

 Semana de oração: prendas para o amanhã

Vivem-se tempos difíceis, atribulados.

Os versos de poetar cantam a chorar: “perdidos e sofridos: gentes, povos e poderes; religião e seitas cruéis, pseudo-religiosas; e cristãos, Igreja e indecisos. Em alaridos de pouco procurar e pouco esperar por surpresas alegres”.

Em dias recentes deste ano bebé de 2024, em encontro de caminhar sinodal, imaginemos que surge o convite para regressar às moradas do vivido pessoal e às surpresas do visto, ouvido e tocado por lugares e pessoas, que foram dons para si e de você para elas; e, assim, refrescar o alento de se ligar ao futuro.

Surpreendeu-me, por exemplo, a memória da minha cela de noviciado, de tabiques, porta de cortina e bacia de água trazida do fim do corredor; e o meu mestre a falar.

E a recordação do meu livro os “Passos psicológicos do crescer” (1982) e logo a surpresa de nestes tempos de turbulências, alguma confusão e desassossego, a convidar à procura.

O livro lembra prendas de bem-fazer e bem ser que damos a nós mesmos para as receber mais tarde quando a amargura bata à porta de surpresa.

Estas pequenas prendas confortam e animam tanto mais os que as oferecem, quanto mais beneficiam os desafortunados, sem sorte.

A autoestima mais saudável e cristã e que mais anima na vida é aquela que se converte em autoestima e bondade para com o próximo que a lei manda amar.

 Os males atuais que afetam o grande mundo dos sofredores de perto e distantes, os ricos que se tornam pobres e os pobres que perdem o resto e se tornam desvalidos, só encontram conforto na fraternidade do amor do próximo que o Papa Francisco traduz por fratelli, tutti, todos, todos, todos.

Quando as condições da vida não satisfazem e a frustração aumenta com contrariedades, o mal-estar da angústia, o desânimo e a desesperança batem à porta.

Para se livrar delas nem todos os esforços são convenientes. Que atitudes tomar nesses estados de inquietação e sofrimento? Nem todas ajudam. Sem reflexão e discernimento algumas podem piorar a coisas.

Parar e refletir pode ajudar; ler uma página do Evangelho pode oferecer uma luzinha, uns momentos de oração podem ser bálsamo nas dores.

A mim ajuda a oração do século III: “À Vossa Proteção recorremos Santa Mãe de Deus…” ou a de S. Bernardo: “Lembrai-vos…”, esta muito rezada pela Madre Teresa de Calcutá.

Um colega psicólogo ateu recomendou-me, um dia, a reza do rosário contra o stresse.

E James Nestor divulgou recentemente o livro (Breath: The New Science of a Lost Art, 2020) com investigações dos efeitos na saúde da reza do terço e a respiração. Que fazer quando se sente aflito com problemas e aflição?

Experimente fazer qualquer coisa que seja positiva e de resultado certo.

Faça de conta que está a fazer uma encomenda ou a preparar uma prenda para o dia seguinte, e imagine que é você mesmo que a irá receber mais tarde do coração de algum miserável.

Pode fazer muitas coisas e muito complicadas. Vá pelo mais simples.

O essencial é que seja positiva, boa e, quanto possível, seja boa para algum ninguém.

É um presente.

Terá algum valor e efeito positivo para a sua saúde mental, geral e o bem-estar espiritual. É uma bênção de Deus.

Repare, essa prenda a si mesmo que passa pelo bem dos outros tem logo o efeito de substituir tudo o que o levaria a algo de errado e danoso.

Essa prenda não fica morta, mas fará parte da sua vida e do sentido bom que lhe quere dar.

Vai-se integrar no seu ser e aumentará a sua autoestima, livre de ilusões grosseiras como aquelas que emergem da vaidade, orgulho, mentira e corrupção. E fará bem aos outros.

Lembre-se que o amor e o bem unem a Deus e ao próximo.

Estamos a iniciar o Oitavário pela unidade dos cristãos, uma semana de oração pelas pessoas que se identificam e acreditam em Jesus Cristo Filho de Deus Trino; experimente uma oração ou ação efetiva a favor dos mais pobres e doentes, uma súplica pela paz na dezena de países em guerra onde se matam crianças, mães e combatentes.

Não esqueça de orar pelos que são mortos pela sua fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa, em mais de três dezenas de países.

Nem esqueça os que são mortos por defenderem os mais fracos e os desprezados.

O Papa Francisco, em encontro recente (10.01.24) com marxistas e cristãos em diálogo transversal, «recomenda três atitudes: coragem para partir o molde, (da rigidez), preocupação pelos menos afortunados (descartados dos nazismos e outras ditaduras) e apoio à regra da lei (para combater a praga da corrupção e dos abusos de poder)».

E desejou que o Evangelho inspire e ilumine o diálogo.

Ainda uma nota sobre surpresas de esperança. Os estudiosos estão a descobrir que quanto mais idoso menos alguém se surpreende e sonha com mudanças de melhor futuro.

Os conhecimentos como que fecham a porta a tantas surpresas e inovações.

Os mais novos são mais surpreendidos e são mais estimulados a descobrir o que o amanhã lhe pode trazer de bom. E termino com a metáfora da prenda.

Nestes dias passei por grande alegria do meu sonho de ver um meu outro livro (“50 dias por Timor-Leste” publicado), prenda que me ofereci e ofereci a um país há uns 14 anos, e agora recebi aumentada por tantos outros amigos.

Foi uma experiência que não roubou nada do meu contentamento apesar de, logo no dia seguinte, ter passado por um dia de aeroporto a mudar três vezes de voo e a fazer uma viagem ao mar da Madeira e regresso a Lisboa, sem ver o aeroporto; e voltar, quatro horas depois ao Funchal com aterragem sem qualquer problema, pelas 2 horas do dia seguinte.

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