Proença-a-Nova: Fróia e Malhadal distinguidas com Qualidade de Ouro
Quem removerá a pedra do sepulcro?

“Fiquemos tranquilos, de olhos fechados, um instante antes do nascer do dia da ressurreição.
Ainda é noite escura, mas já em duas ou três casas de Jerusalém há movimento. Luzes que se acendem, mulheres apressadas que se penteiam e vestem.
O sábado acabou, e uma estrela incomparável, aproveitando todo o firmamento que desaparece ao seu redor, irradia o rosto do nosso primeiro domingo…
Não é mais a Páscoa dos judeus: é a Páscoa dos cristãos!
Vejam, escutem!
No silencio judaico, no cruzamento de três estradas, ocorre um encontro de mulheres veladas que se questionam em voz baixa: «Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?» Quem a removerá?
O perfume que elas trazem consigo encarrega-se de responder! E daí a esperança irresistível que está nos seus corações, e a exalação de ingredientes místicos no coração da noite, preparados pelas próprias mãos da aurora.
Séculos reunidos, santa composição cuja expansão progressiva, assim como há pouco venceu o sono, agora se move para triunfar sobre a morte!
Dos outros acontecimentos daquela imensa manhã, o eco perdido e incoerente dos quatro Evangelhos ainda ressoa, a cada primavera, em todas as igrejas da cristandade”.
Estas palavras de Paul Claudel, carregadas da força poética da Páscoa, evocam o anúncio que ressoa na liturgia da noite de Páscoa e permeia o grande domingo do ano.
«Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui, ressuscitou!» .
(Lc 25, 5-6)
Cristo, crucificado e sepultado, está vivo. E nós somos chamados a reconhece-lo como o objectivo para o qual toda a história se encaminha: a sua ressurreição manifesta o plano de salvação sempre desejado por Deus ao longo dos séculos e agora realizado.
Cristo ressuscitou! A sua ressurreição é o principio de renovação, de renascimento e de vida nova.
A comunidade cristã reafirma-o com o rito da aspersão com água que foi abençoada durante a vigília da noite.
Assim como Maria Madalena e os apóstolos, devemos permitir que a Palavra, pronunciada pessoalmente por Cristo a nós, arda no nosso coração, vença todas as dúvidas e incertezas, e nos impulsione a anuncia-la a todos.
A esta renovação do ser humano e de todo o universo, refere-se o costume de oferecer ovos na Páscoa.
Hoje são de chocolate, mas inicialmente eram oferecidos ovos verdadeiros com a casca colorida.
Outro sinal que caracteriza os ritos domésticos do dia de Páscoa é a bênção da mesa por um membro da família com a água benzida na noite da Vigília Pascal.
A água, retirada da fonte e distribuída aos fiéis para abençoar os alimentos e toda a família, evoca a memória do Batismo e o testemunho alegre da vida cristã. Por isso a Páscoa é, por excelência, o dia de Batismos.
Que ao celebrarmos a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo Espirito Santo, ressuscitemos para a luz da vida.

