Papa: as mulheres, “artífices do humano”

 Papa: as mulheres, “artífices do humano”

*Artigo de Silvonei José – Vatican News (7 de março de 2024)

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quinta-feira, no Vaticano, as participantes, cerca de 160, da Conferência Internacional Mulheres na Igreja: artífices do ser humano.

“Preparei um discurso para os senhores, mas estou cansado e é um pouco difícil lê-lo. Por isso, pedi a este bom monsenhor [o padre rosminiano Pierluigi Giroli, da Secretaria de Estado] que o lesse em meu nome”.

afirmou Francisco

Obrigado por sua presença e por organizar e promover esse evento.

Evento, disse o Papa que destaca particularmente o testemunho de santidade de dez mulheres. Gostaria de nomeá-las: Josephine Bakhita, Magdeleine de Jesus, Elizabeth Ann Seton, Maria MacKillop, Laura Montoya, Kateri Tekakwitha, Teresa de Calcutá, Rafqa Pietra Choboq Ar-Rayès, Maria Beltrame Quattrocchi e Daphrose Mukasanga.

Todas elas, em diferentes épocas e culturas, com estilos próprios e diferentes, e com iniciativas de caridade, educação e oração, deram provas de como o “gênio feminino” pode refletir de forma única a santidade de Deus no mundo.

De fato, precisamente em épocas em que as mulheres eram mais excluídas da vida social e eclesial, “o Espírito Santo suscitou santas cujo encanto provocou novos dinamismos espirituais e importantes reformas na Igreja“.

Não só isso, mas eu também gostaria de “recordar tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que, cada uma a seu modo, sustentaram e transformaram famílias e comunidades com a força de seu testemunho“.

E a Igreja precisa disso, – disse o Papa – porque a Igreja é mulher: filha, noiva e mãe, e quem mais do que a mulher pode revelar seu rosto?

Ajudemo-nos mutuamente, sem forçar e sem rasgar, mas com cuidadoso discernimento, dóceis à voz do Espírito e fiéis em comunhão, a encontrar caminhos adequados para que a grandeza e o papel das mulheres sejam mais valorizados no Povo de Deus.

“vocês escolheram uma expressão específica para intitular sua conferência, chamando as mulheres de “artífices do humano”.

Essas são palavras que lembram ainda mais claramente a natureza de sua vocação: a de serem “artesãs”, colaboradoras do Criador a serviço da vida, do bem comum e da paz.

E eu gostaria de enfatizar dois aspectos dessa missão, relativos ao estilo e à formação”.

afirmou o Papa

O estilo

Estamos em uma época marcada pelo ódio, na qual a humanidade, que precisa se sentir amada, é frequentemente marcada pela violência, pela guerra e por ideologias que afogam os mais belos sentimentos do coração.

E justamente nesse contexto, – continuou o Papa no seu discurso – a contribuição feminina é mais indispensável do que nunca: a mulher, de fato, sabe unir com ternura.

Santa Teresa do Menino Jesus disse que queria ser o amor na Igreja. E ela tinha razão: a mulher, de fato, com sua capacidade única de compaixão, com sua intuição e com sua inclinação conatural para “cuidar”, sabe ser, de modo eminente, para a sociedade, a “inteligência e o coração que ama e une”, colocando amor onde não há amor, humanidade onde os seres humanos lutam para se encontrar.

A formação

Vocês organizaram essa conferência com a colaboração de várias realidades acadêmicas católicas.

E, de fato, no contexto da pastoral universitária, propor aos estudantes, além do estudo acadêmico da doutrina e da mensagem social da Igreja, testemunhos de santidade, especialmente de mulheres, encoraja-os a elevar o olhar, a ampliar o horizonte dos próprios sonhos e do próprio modo de pensar e a se dispor a seguir ideais elevados.

Assim, a santidade pode se tornar uma linha educacional transversal em toda a abordagem do conhecimento.

Por isso, espero que seus ambientes, além de serem lugares de estudo, pesquisa e aprendizado, lugares “informativos”, sejam também contextos “formativos”, onde vocês ajudem a abrir a mente e o coração à ação do Espírito Santo.

Uma última coisa – disse ainda Francisco – sobre o tema da formação:

“no mundo, onde as mulheres ainda sofrem tanta violência, desigualdade, injustiça e maus-tratos – e isso é escandaloso, ainda mais para quem professa a fé no Deus “nascido de mulher” -, existe uma grave forma de discriminação, que está precisamente ligada à educação das mulheres.

De fato, ela é temida em muitos contextos, mas o caminho para sociedades melhores passa justamente pela educação de meninas, moças e mulheres jovens, da qual o desenvolvimento humano se beneficia. Rezemos e nos comprometamos com isso!”

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