Opinião: Ano novo, vida velha

Opinião: Ano novo, vida velha
João Paulo Marrocano

As festas ficam para trás, o novo ano segue um novo caminho. Com ele chega um novo salário mínimo nacional, o maior aumento de sempre, dizem-nos. Acompanham-no também todos os aumentos de custo de vida. Contas feitas, o saldo ficará sem grande alteração. Continuaremos a pagar a energia elétrica, os combustíveis e as portagens mais elevadas da Europa.

Mas este 2022 começa com uma pré-campanha eleitoral. Com eleições marcadas para o próximo dia 30, os partidos políticos apressam-se a fazer prova de vida para captar o eleitorado.

Vai mudar alguma coisa? Não.

Metade da população já tem o sentido de voto decidido. Ficará em casa a olhar para a campanha com total descrédito. Quando muito chamará uns nomes pouco simpáticos a qualquer político que entre sala adentro pelo ecrã da televisão. Numa referência mais simpática limitar-se há a dizer “são todos iguais”. Destes, uns quantos ainda se atrevem a discutir política ao balcão do café, entre duas minis e um pires de tremoços encontram solução para todos os problemas que o país enfrenta. Os ânimos até se podem exaltar conforme as soluções apresentadas pareçam de uma perfeita irracionalidade ou sejam simplesmente incompreendidas pelos colegas de copofonia. Votar é que não, nenhum político merece tamanho sacrifício e haverá sempre ocupação mais nobre para um domingo.

A outra metade cumprirá zelosamente o seu dever cívico. Da mais de uma dezena de partidos que se apresentam a eleições, a escolha irá maioritariamente recair entre um perfume de rosa esbatida cujo encanto há muito se foi ou um sumo de laranja que não sabemos muito bem a qualidade nem o sabor. A maioria da população é muito fiel a esta receita que o país tem experimentado nos últimos 47 anos. Certamente que uma parte do eleitorado escolhe outras soluções governativas e dependendo desses valores assim será a “receita” final. Neste momento porém, parece-me certo que seja o PS ou o PSD o vencedor, não o será com maioria absoluta.

Será então possível encontrar uma solução duradoura para governar Portugal nos próximos 4 anos? Não acredito, neste momento a direita está em grande convulsão que nem sequer se preocupa de todo em esconder. E a esquerda, aparentemente mais sólida, espera apenas pelo resultado eleitoral para ela própria entrar em grande convulsão. Dia 30, a esquerda saberá que sentença o povo lhe dita pelo chumbo do orçamento de estado pelo que passará o período de eleições não a apresentar soluções, mas sim a culpar os anteriores companheiros de geringonça. É, portanto, plausível que o “cozinhado” do próximo dia 30 seja de curta validade e não seja cumprida a legislatura no seu todo.

Certo é que qualquer que seja a solução que Janeiro nos reserve, Portugal continua no pelotão dos mais pobres países da União Europeia, sendo sucessivamente ultrapassado por todos os recentes membros saídos das garras do comunismo e da antiga URSS.

O “Bom Aluno” não passa afinal de uma espécie de jovem universitário que acabado o seu curso continua a sobreviver à custa das “mesadas “que a União Europeia lhe faz chegar para se manter numa vida boémia. A fanfarrice e baixa produtividade continuará. A enorme socialização que se instalou não deixa margem para mais.

Cá pelo interior, o ano continuará sem grande sobressalto ou alteração, os problemas continuarão os mesmos, as soluções continuarão a não passar de uma mão cheia de ilusões condenadas a desaparecer até ao próximo ciclo eleitoral. Os 4 deputados que o distrito elege talvez apareçam de vez em quando a dar sinal de vida, apenas no intervalo dos meandros da política, claro está, se tal aparição não for uma afronta a quem nos governar. Alegremente, continuaremos a ser os mais pobres do cada vez mais pobre país da União europeia.

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