Onde a terra e o céu se juntam é no teu coração

Onde a terra e o céu se juntam é no teu coração
Marta Roque, Mãe de 5 filhos, consultora de comunicação

No ano das comemorações dos 75 anos da Obra em Portugal escolher um ponto do Sulco que seja uma referência é um desafio, são muitos os que poderia comentar que têm sido essenciais na minha vida.

Cruzar-me com o livro de São Josemaria Escrivá aos 26 anos foi para mim um dos momentos cruciais, em que pude reconhecer com rigor e actualidade o espírito da Igreja espelhado no Opus Dei. Ajudou-me a compreender que os acontecimentos são permitidos por Deus, não são uma casualidade, nem andamos por aqui porque o universo assim quis. Somos antes queridos por Deus desde o início do mundo, e a graça de sermos batizados revela a predileção divina que Deus tem por cada um de nós através dos nossos pais, que nos podemos santificar na vida corrente, no lugar onde estamos.

Devo muito ao espírito evangélico da Obra, viver a santidade nas coisas pequenas do dia-a-dia, foi graças a ele que aprendi a concretizar melhor o trabalho, levar cada tarefa até ao fim, ou pelo menos lutar todos os dias por terminar o melhor possível as tarefas. Terminar o curso de comunicação social foi fundamental para o meu percurso, sem isso não teria conseguido ser profissional de comunicação, realizar alguns trabalhos que foram o céu na terra. A descoberta da vocação profissional foi outro sinal divino, porque define muito a nossa vida, a nossa personalidade e maneira de pensar a vida. Também aqui podemos ter presença de Deus e ter moções interiores que nos podem ajudar diariamente. Acontecimentos que temos dentro do coração, lá onde se encontram as alegrias e tristezas, sonhos e desilusões, ali está o céu e a terra, onde Deus escuta os nossos maiores anseios, é através da nossa oração que responde através de pessoas que vai colocando no nosso caminho, basta estarmos atentos.

Se tenho de escolher um ponto que seja este: “De longe – além, no horizonte – parece que o céu se une à terra. Não te esqueças de que, na realidade, onde a Terra e o Céu se unem é no teu coração de filho de Deus” (Sulco, 309). Nunca foi tão verdade, nem tão actual adaptado aos tempos que vivemos este pensamento do autor de Sulco, se pensarmos que a pandemia tornou muitas vezes difícil o acesso aos sacramentos, ter a sensação de abandono foi uma constante para tantos de nós baptizados, mas encontrar Deus na oração tornou-se mais fácil do que nunca, no limite da nossa existência descobrimos que Deus está connosco, presente na história e que nunca estamos sós.

Ideia que o Papa Francisco tanto tem referido, especialmente nos primeiros meses da pandemia e naquela sexta-feira em que caminhou sozinho em direção à cruz, na praça de São Pedro.

Tão certo como isto é experimentar que Deus sabe tão bem as necessidades desta mãe de cinco filhos e poder tocar a graça de Deus em muitos dias da minha vida é a verdadeira riqueza, ou não fossem os meus filhos o verdadeiro presente do céu na terra.

* Nota: A autora não segue o novo Acordo Ortográfico.

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