O Tempo Comum: caminhar juntos

 O Tempo Comum: caminhar juntos

Depois das festas, volta sempre o tempo comum.

O tempo litúrgico do Natal terminou no domingo passado e, na segunda-feira, começou o tempo comum com a festa solene do Batismo de Jesus.

Esta celebração litúrgica do batismo de Jesus, marca o início da vida pública de Jesus (dos 30 aos 33 anos).

Se nos dias de festa, celebramos, nos dias seguintes, continuamos a enfrentar os problemas, tal como aconteceu com Jesus.

A última festa litúrgica do tempo do Natal é a Epifania, isto é, Deus manifesta-se numa criança que é a encarnação do Filho de Deus.

Esta manifestação/revelação é uma proposta para toda a humanidade de todos os tempos. A universalidade da revelação de Deus está representada nos Magos que vieram do oriente para adorar o Menino.

Não sendo judeus, mas homens sábios que liam os sinais da natureza (aparecimento de uma estrela, por exemplo) procuravam a verdade. Vieram. Viram. Adoraram. Partiram cheios de alegria porque tinham encontrado naquele Menino algo muito importante.

O “Domingo de Reis” desafia-nos a procurar e contemplar o essencial da vida e da fé para que isso nos encha de alegria.

Porém, quando a comunidade cristã começa a entender que a Mensagem do Natal, Jesus, é para “Todos, Todos, Todos!” começam os problemas.

É que os primeiros a chegarem ao presépio, alertados pelos anjos, foram os pastores. Os pastores eram aqueles que viviam foram da comunidade, com os seus rebanhos… representam os que estão à margem na linguagem do Papa Francisco.

A Igreja, depois de celebrar o essencial, vive agora no Espírito de Jesus, o desafio da santificação dos batizados acompanhando os que estão cá dentro, os que foram ficando à margem e aqueles a quem é preciso fazer o anúncio do Evangelho de Jesus.

A Igreja sabe da necessidade de mudança. O Sínodo foi e é o método da Igreja para promover a sua renovação.

Todavia, o caminhar juntos é uma tarefa que só é possível se não tirarmos os olhos de Jesus e deixarmos que o Espírito Santo dirija e inspire a comunidade.

No Arciprestado da Sertã, por exemplo, estamos a fazer discernimento sobre os padrinhos de batismos. Sabemos que muitos são propostos para padrinhos e não completaram a iniciação cristã (não têm o crisma) e/ou são pessoas que não casaram, nem querem casar, divorciados, recasados civilmente… O que fazer? Rejeitamos? Acompanhamos? São simples testemunhas? Acabamos com os padrinhos?…

Na Alemanha, está vivo o debate sobre o acesso das mulheres ao sacramento da ordem, ou seja, as mulheres poderem ser diaconisas, sacerdotisas e episcopisas.

O documento Fiducia Suplicans da Santa Sé veio introduzir uma séria discussão sobre as bênçãos que podem ser conferidas a pessoas do mesmo sexo que vivem maritalmente.

De facto, a vivência do essencial da fé, Deus revela-se a todos, leva-nos às periferias e este movimento desinquieta e destabiliza aquilo que é a cómoda vivência da fé.

Como no Evangelho, o vento é forte e perturba a barca de Pedro. Jesus está na barca. Não percamos esta presença porque ela não deixa naufragar.

Rezemos para que o sopro do Espírito conduza a Igreja e nos ajude a viver em comunhão atentos às periferias e à Evangelização.

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