O Artista, esse (des)conhecido!

 O Artista, esse (des)conhecido!

No Dia Europeu da Música celebramos também a Arte e o Artista: os três lados de um mesmo triângulo. E ser Artista o que é, na realidade?

Que beleza se encontra neste Ponto (835) do livro Caminho: “Brilhar como uma estrela?… Ânsia de altura e de ser luz acesa no Céu?… Melhor: queimar com uma tocha, escondido, pegando o teu fogo a tudo aquilo em que tocas. – Este é o teu apostolado; para isso estás na Terra”.

 “Brilhar como uma estrela?… Ânsia de altura e de ser luz acesa no Céu? …”: Uma pergunta bem difícil … e que exige uma resposta fundamental!

É possível (é uma expressão habitual) dizer de um artista que “brilha como uma estrela”. E isso é bom quando é o justo reflexo de um talento bem aproveitado e, sobretudo, de um trabalho nobre e perseverante: “na hora de trabalhar, trabalha-se bem!”, é o lema do artista.

Mas o artista – se o é verdadeiramente – sabe que não é “luz acesa no Céu”, o seu brilho é efêmero como é próprio das denominadas estrelas … na terra. Por isso, é essencial cultivar a arte do escondimento próprio que é a compreensão profunda de que o seu talento, a sua voz, o seu corpo, a faculdade da persistência, a capacidade de uma boa técnica, são, somente, a matéria vocacional que lhe foi concedidapara realizar algo belo para pôr ao serviço, para transmitir aos outros.

E podemos querer um pouco mais: a arte de se apagar, de desaparecer, indispensável na música litúrgica e particularmente evidente no canto Gregoriano onde somente a Palavra sobressai.

O Canto Gregoriano é um tesouro muito expressivo da Igreja católica. Aqui, a música é como um som constante, sem um tom dominante, em intervalos pequenos, sem alterações, sem pausas; as vozes vão entrando sem se fazerem notar, soando como uma só voz. Porque, aqui, a música é somente o suporte onde descansa a Palavra. É o modo humano de trazer a Palavra à terra, e é por isso que os cantores devem apagar-se, desaparecer na música. Esta arte de se esconder, apagar, desaparecer, para que brilhe somente a vocação, aliada à exigência de pôr a render ao máximo cada um dos talentos é, afinal, o fundamento da própria vida de cada um, porque todas as vidas estão destinadas a ser uma obra de arte, «pegando o seu fogo a tudo aquilo em que toca.»

* Maria Romano – Violinista

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