Novilíngua e cultura WOKE, não obrigada!

 Novilíngua e cultura WOKE, não obrigada!

De inquirer.com

Maria Susana Mexia, Professora de Filosofia e Antropologia Filosófica

Cortejo Académico de Braga 2024 era o título de um artigo assinado por Francisco de Assis e publicado no Diário do Minho no dia 9.5.2024.

É sem sombra de dúvida um jornal muito sério do qual só tenho a apresentar o meu respeito profundo.

Também ao autor do dito artigo eu elogio a grandeza da sua honesta sinceridade jornalística, deontológica, não fugindo ou omitindo a verdade, embora a apresentasse de forma muito elegante e respeitosa.

Todavia, não posso deixar de me inquietar com uma realidade tão crua e dura que os estudantes universitários praticam de forma leviana, sem qualquer nexo académico, sem qualidade, normas, valores e dignidade.

Os sublinhados são da minha responsabilidade, a responsabilidade destes desfiles e outras (de) formações académicas, não sei a quem pertence.

Passo a citar o dito texto:

«A principal rua de Braga ganhou vida ontem à tarde, com o Cortejo Académico das instituições do Ensino Superior instaladas em Braga, naquela que é a quarta-feira mais importante do ano, na visão dos alunos.

Sob o lema “A Gata é quem mais ordena”, inspirado nos 50 anos do 25 de Abril, estudantes da Universidade do Minho, da Universidade Católica Portuguesa, do IPCA e do ISAVE manifestaram regozijo pelo final de um trajeto académico ou apenas de uma etapa.

Assim, além da alegria da juventude, já bem regada com muita cerveja, por dentro e por fora, os carros alegóricos faziam soar músicas, alguns deles de intervenção, nomeadamente de Zeca Afonso e Sérgio Godinho, fazendo jus ao tema dos 50 anos da Revolução de Abril de 1974.

Para além da música, muitos carros exibiam, igualmente, cartazes e frases alusivas ao 25 de Abril. Alguns alunos também fizeram o percurso de cravo vermelho na mão.

O próprio carro da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) exibia um cravo gigante, para além do protagonista principal, a “Gata”, que é que mais ordena.

Enfim, valores de Abril e reivindicações fizeram parte do Enterro da Gata. O cortejo foi aberto precisamente com o carro da AAUM, acompanhado dos Bomboémia”, grupo de percussão da UMinho, que anuncia a chegada dos estudantes. Seguiram-se os carros alegóricos da Universidade Católica, do IPCA e do ISAVE. Só depois é que desfilaram os carros dos cursos da UMinho.

Começou com “Optometria e Ciências da Visão” e fechou com “Estudos Culturais”. Com o cortejo terminam as praxes 2023/24. O cortejo académico é o canto do cisne das praxes académicas. Ou seja, é praticamente um ano letivo inteiro a praxar, de dia e de noite. Por isso, é caso para dizer, finalmente.

Como habitualmente, durante todo o percurso, os caloiros são praxados de todas as formas: a cantar, a dançar, a fazer flexões e outros exercícios, mas também a beber cerveja.

Caloiros são “obrigados” a abrir a boca para que os senhores doutores ou engenheiros deitem cerveja lá para dentro. Muitos acabam o cortejo visivelmente alcoolizados.

E é à frente da tenda onde está a direção da AAUM, os cardeais e alguns responsáveis das instituições de ensino que os caloiros exibem o melhor que sabem. Sejam com cânticos ou dizeres referentes ao respetivo curso.

Depois, à noite, todos foram ouvir o inevitável Quim Barreiros, no Gatódromo. Para hoje, a protagonista do dia é Rosinha. O enterro da Gata 2024 termina amanhã com “Mundo” e “Sam the Kid”» (Fim do texto)

Não sei bem que mais acrescentar, creio que o artigo é suficientemente claro para o leitor poder avaliar o estado de gravidade e de infantilidade que impera na camada de jovens, futuros licenciados… naturalmente não serão todos, mas que são a maioria eu sei, dado residir junto de universidades de outra cidade.

Fará esta geração parte da que alguns consideram “a melhor preparada?” Em quê? Um ano inteiro a “praxar” não me parece muito inteligente nem inteligível…

Que fique claro que não sou “conservadora”, porque não posso admitir que a expensas dos nossos impostos reine tanto desalinho.

Não quero conservar a ausência de valores que nas últimas sessenta décadas destruíram toda a dignidade dum Ocidente (Europa e EUA) que foi um baluarte civilizacional para todo o mundo.

Novilíngua e cultura WOKE, não obrigada!

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