Minha Mãe Tão Louvada e Venerada

 Minha Mãe Tão Louvada e Venerada

Coroação Pontifícia de Nossa Senhora da Soledade da Basílica de Mafra

Ainda sob os efeitos da belíssima cerimónia do Ofício de Vésperas em que se fez sentir o céu na terra pela sua elevada qualidade, cheguei de novo à Real Basílica de Santo António e de Nossa Senhora de Mafra com o intuito de participar na Missa e na Coroação de Nossa Senhora da Soledade, presidida por sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça, enquanto Enviado Especial de Sua Santidade, o Papa Francisco que, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, tinha já benzido a coroa na Capela da Nunciatura Apostólica.

Acreditava que já não poderia ser surpreendida depois da cerimónia da véspera.

A basílica, cheia de luz, com o coro a ensaiar, toda ornamentada com os ornamentos para os dias solenes, conseguiu deixar-me sem respiração. Sobretudo, pelo imponente e majestoso trono de Nossa Senhora da Soledade situado no altar-mor.

A imagem ostentava uma singular beleza, agora já com o belíssimo vestido de veludo, bordado a ouro, com rendas, e um novo manto de um tom claro, em seda, todo bordado a ouro com rendas no rebordo e forrado num tom azul sem igual, o manto mais antigo que se conserva da veneranda imagem.

Sobre o peito luzia uma magnífica jóia, em ouro, cravejada de pedras de diferentes cores, executada com as pedras e metal que sobraram da desmontagem das jóias doadas para a coroa.

Bem a mereces querida e veneranda Mãe, tudo é pouco para Ti.

“Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à Vossa proteção, implorado o vosso socorro fosse por Vós desamparado”.

O rosto da venerada imagem da Virgem Maria refletia uma enorme luminosidade, muito sofrido, mas tão carinhoso, compreensivo com todos os nossos padecimentos:

“Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!”.

(Lam I, I2)

Exclamei interiormente:

“Virgem Maria, Rainha e Mãe, sob o Teu manto nos acolhemos e pedimos a Tua proteção. Protege-nos, Santa Mãe. No Teu regaço deixamos as nossas penas e sofrimentos, cientes do Teu conforto e intercessão junto do teu Filho Jesus”.

Na verdade, confesso que me sinto muito sensibilizada: a coroação pontifícia de Nossa Senhora da Soledade fez-me acreditar, cada vez mais, na beleza de todo o envolvimento e colaboração a diferentes níveis, unidos para concretizar uma causa nobre.

Todos colaboraram com o que tinham e como podiam. Desde o Vaticano aos fiéis.

Ocupei o meu lugar. Queria usufruir plenamente da cerimónia. Faziam-se os últimos preparativos. O coro aquecia as vozes. E chegou a hora.

O cortejo que integrava os celebrantes da Santa Missa foi tomando os lugares destinados. O altar foi incensado. Recordo as palavras proferidas pelo Cardeal Tolentino de Mendonça, que presidia à Santa Missa e Coroação de Nossa Senhora:

“É com muita alegria que o Santo Padre se associa a esta coroação da Senhora da Soledade, expressão de amor do povo da Vila de Mafra e de quantos se juntaram, organizaram, para tecer uma rede de afeto, de amor e de fé e colocar esta coroa, material, mas sobretudo uma coroa espiritual, feita de devoção, de piedade e de esperança”.

Cardeal Tolentino de Mendonça

Por uns momentos recordei a presença do Santo Padre entre nós durante a Jornada Mundial da Juventude. Vieram-me ao pensamento as seguintes palavras:

“Temos muitos títulos de Maria, mas, se pensarmos bem, há mais este que poderíamos dizer: A Virgem “que sai correndo”, sempre que há um problema; sempre que A invocamos, Ela não demora em vir; é solícita.

Apressa-se porque é Mãe. O gesto com que Maria Mãe acolhe é duplo: primeiro acolhe e depois aponta para Jesus. Maria, na sua vida, não faz senão indicar Jesus: “Fazei o que Ele vos disser” Esta assim é Maria.

Esta é a nossa Mãe, Nossa Senhora solícita em estar perto de nós.

A missa decorria. Perdia-me na sua beleza. O cheiro inebriante das velas, do incenso, o coro, todos os rituais inerentes a uma celebração solene, trouxeram-me à mente as diferentes cerimónias em que tinha participado na Basílica de S. Pedro, no Vaticano, celebradas então pelo Papa João Paulo II.

Recordo algumas frases: “…eles levantaram os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a comunidade dos eleitos… Maria não cessa de ser a “estrela-do-mar” para todos aqueles que percorrem o caminho da fé.

“Ela coopera com amor de mãe”. “Ó Santa Mãe do Redentor, porta do Céu sempre aberta, estrela-do-mar, socorro do vosso povo, que cai e anela por erguer-se. “Socorrei”!

Radicada profundamente na história da humanidade, presente como mãe a participar nos múltiplos e complexos problemas que hoje acompanham a vida das pessoas individualmente, das famílias e das nações; auxílio do povo cristão, na luta incessante entre o bem e o mal, para que “não caia” ou, se caiu, para que “se erga”.

Meu Deus, tinha-me perdido nestes pensamentos. Voltei ao momento presente em que Sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça dava ênfase à solidão enquanto uma “epidemia descontrolada” em que se devem questionar todos sobre “o tipo de sociedade” que se torna necessário construir.

Lançou ainda outra questão: “Estamos dispostos a lutar uns pelos outros, não só quando é fácil?” Destacou ainda na sua homilia a figura de Maria, junto à cruz de Jesus, enquanto “testemunha plena de autoridade”, ao lado do seu Filho e de cada membro da Igreja, de uma forma “materna, discreta e amorosa”. “É a beleza credível que nos salva”. “A oração dilata o nosso poder de agir e de amar”.

Outra frase que retive: “O admirável testemunho de caridade maternal da Santíssima Virgem Maria da Soledade”.

O representante do Santo Padre proferiu ainda, na sua homilia de que refiro unicamente alguns excertos, a seguinte frase: “Queridos irmãos e irmãs, peregrinos da Senhora da Soledade: até Ela, trazemos as nossas vidas, a nossa solidão e a nossa companhia, o nosso desejo de reconciliação e de esperança”.

Emocionei-me ao observar o almejado e tão ansiado momento da Coroação de Nossa Senhora da Soledade. Pensava em todas as circunstâncias vivenciadas até chegar a este momento.

A coroa de Nossa Senhora da Soledade, realizada em ouro, prata branca e dourada, resulta da doação de tantos fiéis que se empenharam na sua concretização. Existem histórias comoventes das pessoas que participaram com o que podiam para a elaboração da coroa, que nos faz constatar que a solidariedade existe mesmo e em abundância.

O projeto selecionado, da autoria de Santiago Rodríguez López (sendo o modelo realizado pelo ourives Manuel Valera), considerou, entre outras, as propostas de coroas de autoria atribuída ao ourives João Frederico Ludovice (1673-1752), uma figura indelevelmente ligada ao Real Edifício de Mafra.

Foram incluídas nas cartelas da coroa representações simbólicas de Nossa Senhora, que surgem representadas no interior do zimbório da basílica, e a cartela central reproduz o anagrama de Jesus e Maria que se encontra na janela principal da nave da basílica.

As cartelas que não se veem no projeto tiveram a sua iconografia votada pelos Escoteiros de Mafra, pelos Grupos de Jovens da Vigararia de Mafra, e pelos Colégios Fomento.

As estrelas e as grinaldas acompanham os modelos reproduzidos nos relicários que existem nos altares. A coroa é rematada com um orbe de lápis-lazúli, e uma cruz que reproduz o modelo da coroa real portuguesa.

O objetivo alcançado com a sua feitura resultou digno da Virgem Maria: “De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada, todas as gerações. O Todo- Poderoso fez em mim maravilhas”.

“A ti, que desmoralizas repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça… Se recorres à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. “Sancta Maria, refugium nostrum et virtus!”, és o meu refúgio e a minha fortaleza.

Chegou o momento da Coroação da Virgem Maria. Sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça colocou a coroa na Veneranda Imagem de Nossa Senhora da Soledade.

Um momento aguardado e de tão grande simbolismo. O ato de coroar Nossa Senhora é reconhecer que é Rainha da Igreja.

Seguiram-se os cânticos de louvor. “Beata es Maria, quae credidisti: perficientur in te, quae dicta sunt tibi a Domino, alleluia”.

Concluo este artigo denominado “Minha Mãe Louvada e Venerada” com um enorme agradecimento à Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, por esta nobre iniciativa bem como a todos os que de algum modo contribuíram para a sua concretização.

A imagem de Nossa Senhora da Soledade continuará a ficar exposta no altar-mor até ao dia 7 de Outubro, regressando posteriormente à Capela da Coroação da Virgem onde habitualmente se encontra para veneração e oração. Nossa Senhora da Soledade, intercedei por todos nós!

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