Manhãs de março (Parte II)

 Manhãs de março (Parte II)

João Paulo Marrocano

A segunda pergunta que importa fazer sobre a manhã de 11 de Março, reforçada pela contagem final dos votos da diáspora é: O que nos reserva o futuro? Precariedade ou estabilidade?

Luís Montenegro tem a hercúlea, e quiçá nunca anteriormente exigida a um chefe de governo, tarefa de resgatar duplamente Portugal.

Por um lado, no quadro sócio-económico tem que recuperar a destruição a que oito anos de socialismo, apoiado pela extrema esquerda, conduziu o país.

A agitação social nunca vista em todas classes, são disso prova.

Serviço nacional de saúde, educação, as agitações espontâneas dos agricultores, das forças de segurança, entre tantos outros sintomas, exigem uma resposta musculada e assertiva, sem margem para erros, num quadro político internacional cada vez mais volátil e incerto.

Sim, bem sei que a votação no PS foi quase tão grande como a votação da AD, e que para esse eleitorado tudo está bem no nosso país, mas a radical queda da abstenção que se verificou, enterra a soma de todos os seus argumentos.

Por outro, perante uma frágil vitória eleitoral e perante a decisão dos portugueses de rasgar o bipartidarismo, obriga a uma negociação permanente com todas as forças políticas, com o rigor que exige o bem nacional em detrimento de calculismos político-partidários.

Essa negociação terá forçosamente que incluir o CHEGA, que de tanto ter sido menosprezado, atingiu um peso que obriga a uma reflexão profunda sobre os motivos que levaram os portugueses a votar num partido que parece com solução para tudo, mas que em algumas politicas muda de posição conforme vento (o dossier TAP é um bom exemplo), em algumas politicas não se sabe se é de extrema direita ou extrema esquerda, e acima de tudo, faz do combate á corrupção e decadência politica a sua principal bandeira mas com tantos casos de corrupção e condenação pelos mais variados crimes dentro de si próprio, nos leva a crer cada vez mais que será parra que não dará qualquer uva.

Estará a AD e Luís Montenegro à altura do desafio de nos conduzir a bom porto e governar Portugal com estabilidade?

Seguramente que sim. Sempre que o PS deixou Portugal no abismo, foi o PPD/PSD e o CDS-PP, com coligações pré ou pós-eleitorais, que os portugueses chamaram a recuperar o país.

Foi assim nos pantanosos tempos de Guterres, no descalabro financeiro de Sócrates e agora, no emaranhado de enredos com que Costa acabou completamente amarrado.

Para que Montenegro tenha sucesso no meio deste frágil cenário, basta-lhe cumprir duas das suas principais promessas eleitorais, provavelmente as menos faladas, mas seguramente as mais importantes.

Se as cumprir, os portugueses não terão duvida na resposta a dar no momento e local certo.

1ª – Não dar tudo a toda a gente. Ainda o governo não tomou posse e já assistimos ao alinhamento do discurso entre o PS e CHEGA na defesa de alguns sectores da sociedade como se não houvesse Portugal para alem da função publica.

É preciso melhores condições para médicos, professores, policias e outros? Claro que sim. E os pedreiros, os operários de tanto segmento, os agricultores,…?

Esquecidos pela oposição, compete a Luís Montenegro ser responsável pelo governo do país inteiro e não apenas de alguns.

2ª Não levar o aparelho partidário para o governo. Os aparelhos partidários devem servir para escolher entre pares os melhores para servir o país sem esperar que os eleitos lhes retribuam contrapartidas.

Sabemos que raramente foi assim, mas a sociedade demonstrou que está atenta, que tem a coragem e as ferramentas para mudar rumos.

É certo que nas estruturas partidárias há sempre muita sede de influência e poder, mas será uma promessa perfeitamente exequível e termos um governo constituído pelo que de melhor Portugal tem.

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