Livre e PS: Geringonça, parte II

 Livre e PS: Geringonça, parte II
Paulo Freitas do Amaral, Professor de História

Quem estiver atento às posições políticas de Rui Tavares no parlamento perceberá que o partido Livre passou a ser uma espécie de “anexo” do PS.

O voto de abstenção do Livre na aprovação do orçamento do PS é uma realidade e a agenda mediática de iniciativas que anuncia teima, tal como faz o Governo, em ser realidade.

Exemplo disso é o “rato que pariu a montanha” na iniciativa desta “Geringonça, parte II” na existência de um passe a baixo custo para os jovens.

Rui Tavares, líder do Livre, anunciou, com grande pompa e circunstância, que graças a ele próprio e ao Livre os jovens poderão viajar quase de borla em todos os comboios regionais.

Ora, se bem me lembro… os comboios regionais no meu tempo de jovem eram os que saíam à meia-noite da estação de Sta. Apolónia, em Lisboa, e chegavam às seis e meia da manhã à estação da Campanhã, no Porto, parando em todas as estações e apeadeiros no seu trajecto.

Será que esta conquista do partido Livre à sombra do governo PS muda realmente a vida de quem precisa do comboio todos os dias para ir trabalhar? É que, indo à boleia (como era usual os jovens fazerem no meu tempo), talvez se chegue primeiro ao destino do que de comboio regional.

Saberá Rui Tavares que quem vive fora de Lisboa e utiliza diariamente a CP – que é uma empresa do Estado – pode pagar passes até um valor de 400 euros? E, por outro lao, que o lisboeta que utiliza a Fertagus, por exemplo, entre outros privados, não paga, em média, mais de 100 euros?

O partido Livre, imitando o Governo PS – seu aliado – numa espécie de “geringonça desnecessária”, anuncia, agora, “conquistas” para os outros passes, incluindo os de comboios inter-regionais e intercidades.

Outra promessa que anuncia, sabendo que não está na sua mão o cumprimento desta promessa, mas, antes, na do Governo…

Anunciará o Livre esta medida por a sua abstenção no Orçamento ter sido vista com simpatia pelo Governo?

Estará Rui Tavares a ensaiar-se como ministro na bancada do Governo?

Desconheço os bastidores do parlamento, mas esta “Geringonça –  parte II” não escapa ao olhar do eleitor atento, que, por certo, preferiria mudanças reais a anúncios eleitoralistas de quem não governa.

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