Desprendimento das coisas terrenas = Coração livre para Deus

 Desprendimento das coisas terrenas = Coração livre para Deus

O afã desmesurado dos bens materiais é contrário à vida cristã, são incompatíveis e não se pode servir a Deus e às riquezas.

Os bens matérias são bons, mas apenas meios – não são fins, não podem encher o coração do homem que está feito para Deus e não se sacia sem Ele.

Para O seguirmos, Cristo estabeleceu uma condição indispensável – “Qualquer um de vós que não renuncie a tudo o que possui não pode ser meu discípulo”.

Foi este não renunciar que encheu de tristeza o jovem rico, tinha posses e estava muito apegado a elas. E afinal perdeu a vida eterna por causa de algumas riquezas que deixaria na terra quando morresse.

O mundo foi criado bom e Deus confiou-o ao ser humano – Enchei a terra e submetei-a, mas as coisas podem converter-se numa amarra que nos impede de subir mais alto, de seguir a Cristo.

Somos administradores de tudo por um breve espaço de tempo, há que rentabilizar todos os meios para viver fazendo o bem na sociedade.

Para chegar a Deus, Cristo é o caminho. Mas Cristo está na cruz e é preciso ter o coração livre e leve para O amar e, livremente, poder ascender ao alto. Porém, para a cruz sobe-se descendo, renunciando aos prazeres, libertando-nos de tudo o que pesa, nos prende e amarra.

A avareza é uma idolatria – é um ídolo que ocupa o lugar de Deus e todo aquele que não quebrar as amarras que o atam de modo desordenado às coisas, às pessoas e a si próprio exclui-se duma vida interior de amor a Deus.

A pobreza cristã não consiste em não ter nada, mas em estar desprendido de tudo o que tem, é uma atitude interior de se identificar com os sentimentos de Cristo, que nasceu pobre, mas não se apresentou como um mendigo, vestia uma boa túnica e valorizava os pormenores de educação.

A melhor aliada do desprendimento é a temperança que modera a atracção pelos prazeres e procura o justo equilíbrio dos bens criados.

Viver e ensinar a viver a temperança na família é o melhor antídoto contra o consumismo desenfreado que sufoca a nossa relação com Deus e conduz a um empobrecimento interior.

Temperança nas compras, nos jogos, nos filmes, nas redes sociais, nos divertimentos, nas roupas. Evitar os gastos supérfluos, não criar necessidades, ser simples e descomplicado, moderar as compras e as apetências.

Numa alma cheia de bugigangas Deus não quer habitar…

Mas seguir de perto o Senhor inclui também o desapego da saúde, das preocupações com as doenças, das queixas e lamentos, dos anseios com o que está para vir…

A vida é o tempo de ganhar méritos, a caridade será sempre a realização do Reino de Deus na terra e a única bagagem que levaremos ao partir.

Que a nossa vida seja um tempo de partilha, de afecto, compreensão, sorrisos, bons conselhos, cordialidade e ânimo.

*Maria Susana Mexia

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