ADCPN: Confinar não é parar

 ADCPN: Confinar não é parar

O Jornal de Proença, perante o desafio lançado pela Associação Desportiva Cultural de Proença-a-Nova “Confinar não é Parar”, foi descobrir como as camadas mais jovens têm treinado e quem são os seus treinadores.

Miguel Farinha

J.P. – Quem são o Diogo André e o Miguel Farinha?
O Diogo Martins André tem 21 anos. Frequenta o último ano da licenciatura em Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa.
O Miguel Martins Farinha, de 21 anos, frequenta o último ano da licenciatura de Treino Desportivo na Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém.

J.P. – Como foi o vosso percurso até ao momento?
Ambos jogamos à bola na ADCPN desde muito jovens, onde pertencemos neste momento à equipa Sénior e, posteriormente, fomos desafiados a treinar os mais pequenos.
O Diogo André iniciou o seu percurso como treinador na Época 2018/19- Petizes, depois na Época 2019/20- Traquinas e, neste ano, Época 20/21- Traquinas e Iniciados (Treinador-Adjunto).
O Miguel iniciou o seu percurso como treinador na Época 19/20- Traquinas, Benjamins e Infantis (Treinador-Adjunto) e na Época 20/21- Traquinas, Benjamins e Iniciados (Treinador-Adjunto).

J.P. – Como surgiu esta ideia? E quais os objetivos a que se propuseram?
Para este formato de treinos, o clube não só esteve atento a outras realidades clubísticas, mas também à vida escolar dos atletas. Ou seja, se eles, em virtude da Pandemia, passaram a ter aulas em formato on-line, porque não fazer o mesmo em relação aos treinos?
É de referir que, no confinamento do ano anterior, algumas equipas do clube (Petizes e Traquinas) já tinham desenvolvido algumas atividades à distância, sob a forma de “desafios”, nos quais os pais estavam incumbidos de fazer um pequeno vídeo do seu educando a cumprir a tarefa proposta. Contudo, este novo formato permite não só que o contacto entre equipa(s) técnica(s) e atletas seja mais efetivo, mas que eles também possam socializar entre si por esta via. Por outro lado, estas atividades constituem-se como um espaço temporal onde os atletas podem realizar um pouco de exercício físico, num período onde questões como o sedentarismo e a pouca literacia motora das crianças vão sendo cada vez mais preocupantes.

Diogo André

J.P. – Qual foi a adesão dos atletas?
Ainda que nem todos os atletas estejam a participar, a adesão tem sido relativamente boa. Sobretudo nos escalões mais jovens, os miúdos ainda estão bastante dependentes dos Encarregados de Educação e, portanto, o clube tem de ser compreensivo para com essa ausência, pois nem sempre os pais têm disponibilidade para acompanhar os seus filhos durante o treino.

J.P. – Quais são os escalões que treinam online?
Os atletas estão divididos em 3 grupos. Um grupo relativo à equipa de Traquinas (7-8 anos), outro que engloba os atletas Benjamins (9-10 anos) e um outro grupo onde coabitam os atletas mais velhos, pertencentes aos Infantis, Iniciados e Juvenis (12-16 anos).

J.P. – Relativamente à periodicidade, quantas vezes há treinos?
Traquinas- sábado; Benjamins- terça-feira e sábado; Infantis, Iniciados e Juvenis- quarta-feira e sexta-feira.

J.P. – Quais as dificuldades que encontraram na realização dos treinos online?
A maior dificuldade deste processo prende-se com a necessidade de os Treinadores terem de encontrar novas soluções, constantemente, para motivar os atletas, seja através da introdução de novos exercícios, de uma competição entre eles no treino ou com a introdução de um novo jogo no final do treino. Isto porque, como eles referem, “estão fartos de ecrãs”.

J.P. – Que tipo de treinos conseguem fazer nestes moldes?
As palavras de ordem são Adaptação e Inovação. Na conceção e planeamento de uma sessão nestes moldes, há que ter plena consciência das limitações inerentes (condições de espaços, materiais, etc.), para dessa forma nos adaptarmos e tentarmos promover um contexto de treino o mais rico possível em termos de estímulos. Por outro lado, há que tentar introduzir sempre uma ou outra dinâmica nova (Inovação), a fim de evitar que os atletas atinjam um determinado ponto de saturação, tentando evitar que deixem de comparecer e de ter motivação intrínseca para participar.

Em todos os treinos se procura maximizar o contacto e a relação com a bola. Mas, à medida que o escalão etário vai aumentando, a componente física vai estando cada vez mais presente.

Relativamente às Habilidades Técnicas, enquanto nos Traquinas e Benjamins os exercícios incidem sobre ações técnico-táticas como o passe, a receção, a finta, a condução de bola ou a precisão, por outro lado, no grupo dos atletas mais velhos as tarefas centram-se em ações de perícia e controlo de bola. Em termos do material utilizado, procura-se aproveitar objetos comuns a qualquer casa, como garrafas de água, livros, cestos, bancos, cordas, entre outros. Neste aspecto, há que salientar a enorme disponibilidade e cooperação dos Encarregados de Educação que sempre e prontamente procuram cooperar e disponibilizar o material solicitado pela Equipa Técnica para a realização do treino.

Em qualquer processo de Formação, é fundamental a Formação do indivíduo do ponto de vista Social. Assim, reserva-se a parte final de cada treino com vista a focalizar este domínio, seja através de jogos onde os atletas têm de trabalhar em equipa, vídeos (intencionalmente escolhidos de modo a transmitir uma mensagem), ou através de meras conversas entre atletas e treinadores.

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