“Caritas”: a maior das virtudes

 “Caritas”: a maior das virtudes

O Povo costuma dizer “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!”. Ao longo da nossa caminhada, muitos foram os temas doutrinais que, foram caindo em desuso ou até no esquecimento. Se formos questionar os mais novos, que realizam a sua caminhada com Deus mais ou menos presente nas suas vidas, sobre as chamadas “virtudes cristãs”, muitos deles olham para nós como se estivéssemos a falar de algo que “não é para eles”! Isto, porque em muitas circunstâncias não conseguimos falar desta e de muitas outras temáticas, utilizando uma linguagem para os dias que correm.

Muitos de nós se lembrarão das chamadas sete virtudes celestiais ou sete virtudes cristãs, alcançadas pela combinação das virtudes cardinais (prudência, justiça, temperança e coragem), com as três virtudes teologais (fé, esperança e caridade). Destas 3 últimas, São Paulo diz-nos que, “agora subsistem estas três: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade” (1 Cor. 13,13).

O apóstolo Paulo consegue explicar-nos com profundidade o significado da caridade, oferecendo-nos uma visão ampla do seu sentido. Na sua primeira carta, no capítulo 13, o apóstolo revela que, nada tem sentido, nem as boas obras, se não houver caridade:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”.

(1 Cor 13,1-3)

Os mais atentos, certamente se apercebem que, a palavra de Deus usa as palavras caridade e amor com o mesmo sentido. São João diz que: “Deus é amor”. Do latim, “Deus caritas est” (1 João 4,8). Assim sendo, se dizemos que Deus é caridade, então, não há nada mais importante do que ela!

Gostaria, no entanto, de salientar que, muitas vezes, nós cristãos, temos tendência a querer “profissionalizar” a caridade, confundindo-a com um certo assistencialismo. Ora, o assistencialismo não é mais que, uma perspetiva de intervenção social que prioriza a organização de respostas para os casos de necessidade extrema, em vez de garantir padrões mínimos de bem-estar para todos. Nas nossas sociedades contemporâneas, os Estados assumem particulares obrigações em matéria de proteção social, marcando o perfil das políticas sociais públicas de muitos países, enquanto medidas de caráter subsidiário, de recurso eventual, e condicionadas à prova da falta de meios para resolver os problemas.

Por sua vez, a caridade deve ser entendida sim, como uma doação, mas não necessariamente material. Mais do que uma ação pontual, ela representa um modo de viver a vida, no qual a nossa inspiração é Jesus Cristo. Neste sentido, uma ação em específico não nos torna uma pessoa caridosa, mas a maneira como agimos sim. Por exemplo, podemos não estar em condições financeiras de realizar uma doação material, mas a nossa atenção, a nossa escuta, o nosso respeito, o nosso cuidado e a maneira como vemos os nossos irmãos nos tornam pessoas caridosas. 

A caridade é uma virtude que molda quem somos. 

Assim sendo, importa de forma simples, dar pistas de como podemos contribuir para um Mundo melhor:

  1. Deixar que Deus te guie – para que possamos atingir o ponto mais alto da caridade (amor). Aquele que se deixa amar por Deus, será capaz de transbordar essa experiência ao próximo;
  2. Pratica o desapego material – quantas e quantas coisas possuímos e que não usamos nem importância lhe damos?! Porque não doar?!
  3. Pratica o desapego imaterial – pode exigir um pouco mais de ti! É que para sermos de facto caridosos, precisamos de aprender a deixar de lado os nossos problemas e aproveitar melhor o nosso tempo. É doarmo-nos ao outro!
  4. Ajuda nas pequenas coisas do quotidiano – às vezes pensamos que a caridade apenas se encontra em grandes feitos, e esquecemo-nos dos pequenos atos de ajuda. Procura ajudar as pessoas da tua casa, da tua família.
  5. Fica atento ao teu próximo – além do dever de ajudar quem conheces, ajuda quem não conheces. Quando estiveres na rua, no autocarro, na escola, no trabalho, fica atento às necessidades daqueles com quem te cruzas.
  6. Tem tempo para ouvir o próximo – num mundo do “corre corre”, de rotinas, em que ninguém tem tempo para os outros, pára e ouve.
  7. Demonstra amor – quantas vezes perdemos a oportunidade de dizer ao outro que o amamos? Se não demonstras o amor que tens, perdes essa oportunidade de ser mais feliz e de fazer os outros felizes.
  8. Demonstra preocupação com o próximo – apesar de maior ou menor afinidade, ou até mesmo não conhecendo a pessoa, devemos lembrarmo-nos que todos somos filhos do mesmo Deus e que nos precisamos de amar. Sorri, cumprimenta e presta atenção ao teu redor.

A caridade cristã não é simples filantropia. Por um lado, é olhar para o outro com os próprios olhos de Jesus; por outro, é ver Jesus no rosto dos pobres. Este é o verdadeiro caminho da caridade cristã, com Jesus no centro, sempre! A caridade faz-nos pensar em algo maior: o nosso papel no mundo. E tu já sabes qual é o teu?

*David Esteves

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