Aqui Vimos, Mãe Querida

Aqui Vimos, Mãe Querida

Foto: Santuário de Fátima

Maria Helena Paes

No passado mês fui fazer uma peregrinação a pé a Fátima desde Minde. Há muito tempo que almejava fazê-la. Na verdade, já tinha feito uma há muitos anos. Mas agora sentia a necessidade de a voltar a fazer. A peregrinação começou com uma missa matutina em Lisboa que nos centrou nos objetivos da nossa peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Cada peregrino teria as suas razões. Importa sim o espírito de solidariedade, de equipa, de entreajuda. Já em Minde, ao iniciarmos o percurso a pé rezámos uma Ave-maria, junto de uma imagem de Nossa Senhora das Candeias para que tudo corresse bem. E partimos felizes e expectantes rumo a Fátima. O caminho inicial não era fácil de todo. Mas ajudou-me a centrar na peregrinação, a pensar quantos peregrinos teriam feito este percurso e outros bem maiores. Aos poucos, fui conhecendo os outros peregrinos. Que bom, já me sentia integrada. E ao caminhar em equipa fui sentindo o cheiro dos eucaliptos, dos pinheiros, das oliveiras…tudo tão bom para quem vive na cidade! A certa altura deparei-me com um campo de papoilas. Maravilhoso, qual quadro de Claude Monet!

Como a natureza tem tanto para nos oferecer e nos ajuda a encontrar a paz. E fui rezando por algumas intenções. Recordei que o sacerdote que nos acompanhava tinha mencionado a Encíclica do Papa Francisco, “Laudate si“, sobre o cuidado da casa comum. Refiro alguns pontos: “… a natureza é um manancial incessante de encanto e de reverência. Trata-se de uma contínua revelação do divino”. “Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança”… há uma manifestação divina no despontar do sol e no cair da noite. Quando nos damos conta do reflexo de Deus em tudo o que existe, o coração sente o desejo de adorar o Senhor por todas as criaturas. Transcrevo um excerto um cântico de São Francisco de Assis que tão bem reflete este pensamento: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia…Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste claras, preciosas e belas; Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo com o qual, às tuas criaturas dás o sustento; Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água que é tão útil e tão humilde e preciosa e casta”…

E a chuva que se fez sentir trouxe-me ao momento presente. Afinal era um aguaceiro que soube bem para refrescar. Tornava-se necessário estar atenta às pedras existentes no caminho. Alguém referiu que era um ‘caminho de cabras’. Mas sentia-me feliz interiormente. E o sol voltou a brilhar por uns momentos envergonhado. E depois veio o vento. Tivemos as quatro estações no caminho. Muito bom mesmo. Nossa Senhora abençoava-nos nesta longa caminhada.

Entretanto, tínhamos chegado perto de um pequeno lago. À sua volta existiam algumas pedras onde nos sentámos alegremente para um leve piquenique. Foi um momento de confraternização já que ainda faltavam duas horas de caminho. Também uma senhora que residia numa casa perto do lago disponibilizou-nos uma casa de banho. Já estava habituada a oferecer este pequeno conforto aos peregrinos. Também a sua garagem se nos quiséssemos abrigar do novo aguaceiro que se fez sentir. Há sempre pessoas generosas, ou seja, a divina providência!

Depois, em silêncio, meditando a Carta Apostólica de S. João Paulo II, também ele peregrino de Fátima, denominada “Fica Connosco Senhor” que refere: “tu divino peregrino, conhecedor dos nossos caminhos e do nosso coração não nos deixes presos nas sombras da noite. Sustenta-nos no cansaço, perdoa os nossos pecados, orienta os nossos passos nos caminhos do bem. Abençoa as crianças, os jovens, os idosos, as famílias e particularmente os doentes. Abençoa os sacerdotes e as pessoas consagradas. Abençoa a humanidade inteira…, dá-nos o gosto da vida em plenitude, que nos faça caminhar nesta terra como peregrinos confiantes e alegres olhando sempre para a meta da vida que não tem fim. Fica connosco, Senhor, fica connosco”.

E os quilómetros sucediam-se. A natureza pródiga ajudava-me a seguir em frente. Também o apoio dos outros peregrinos. Já acusava algum grau de cansaço, apesar de fazer caminhada todos os dias, mas não desta dimensão. Graças a Deus chegámos à estrada. Ânimo. Já só faltam, quatro ou cinco quilómetros. Seguíamos agora em fila indiana. Fiquei admirada com uma peregrina com 77 anos que caminhava cheia de energia. Também um peregrino com 81 anos. Que exemplo, que energia. E a criança, a nossa mascote, com 8 anos. Que maravilha! O que faz o amor a Maria. Queríamos estar em Fátima pelas 16H00, para rezarmos o terço a essa hora na Capelinha. O saber que estava atrasada deu-me energia para caminhar mais apressadamente.

Torna-se quase impossível descrever a chegada ao recinto. Veio-me ao pensamento a música “Aqui vimos, Mãe querida, consagrar-Te o nosso amor”. Um misto de alegria, de cansaço, de dever cumprido, de saber que a Nossa Mãe do Céu, cheia de graça, nos aguardava serenamente para nos abençoar, para oferecer a sua intercessão. Tínhamos conseguido chegar a horas. Os sinos repicavam como que a dar-nos as boas vindas. Que sensação de paz, de tranquilidade. Dirigi-me à Capelinha das Aparições à procura do seu abrigo. Serenamente, agradeci-Lhe ter-me concedido o privilégio de a poder visitar mais uma vez. No seu regaço deixei todos os meus pedidos, as minhas intenções, os meus agradecimentos… Tratei Maria, com muito carinho, como os filhos tratam uma mãe, ciente de que tudo o que Jesus concede é através de Maria.

Depois chegou o momento de se rezar o terço, a oração que Nossa Senhora pediu aos pastorinhos de Fátima que o rezássemos todos os dias. No Rosário, confiamo-nos, de modo particular, à ação maternal de Virgem Santa. Ela é o perfeito ícone da maternidade da Igreja. “Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Jesus”. A Capelinha estava repleta. Muitos peregrinos encontravam-se em pé. São tantos os peregrinos, que vêm neste mês de maio visitar a Senhora de Fátima, com muito amor, confiar os seus pedidos, as suas cruzes, e fazer as suas orações. Maria na sua humildade a todos acolhe. Vivemos uma época difícil. Maria ajuda-nos a recriar a esperança no futuro. “À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas nas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita”. Concluo este artigo com o ponto 502 do livro Caminho de S. Josemaria Escrivá: “Maria, Mestra da oração- Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. – E como consegue”. Santa Maria, rainha da paz, intercedei por todos nós, em particular, pelo fim da guerra na Ucrânia e noutras guerras em todo o mundo

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