Aconteceu no museu do Chiado

 Aconteceu no museu do Chiado
Maria Susana Mexia, Professora de Filosofia

A vida passa breve e nas nossas memórias permanecem algumas recordações que, por vezes, ousamos repetir.

Foi assim que numa tarde gélida do fim de Dezembro, em Lisboa, decidi entrar e rever o MNAC, Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Fui informada de que o acervo do Museu estava retirado, devido às exposições temporárias que ali se encontravam.

É um facto que desde há alguns anos não ousava perder-me por estes espaços, naturalmente senti-me ultrapassada na modernidade de algumas “artes” ou formas disformes de as apresentar, como as que presenciei.

Deslizando de decepção em decepção, deparei-me com um texto que antecedia uma destas exposições.

Sem mais algum comentário, não sou crítica de arte, nem tão pouco me pagam para o ser, limito-me a transcrever o dito texto que me deixou tão perplexa quanto abalroada na sua terminologia, essência ou, hipotético esclarecimento do que me aguardava contemplar naquele lugar supostamente estético e que eu recordava da minha infância com gratidão pela beleza de algumas pinturas e esculturas.

Transcrevo o responsável pela minha perplexidade, ignorância ou? não sei que lhe hei-de chamar, por isso recorro ao amigo leitor na esperança de que mo possa traduzir, explicar ou, simplesmente, refletir na profundidade do teor destas palavras.

«Rethinking Identity

Inaugura dia 28 de Setembro às 18.30h – SALA POLIVALENTE DO MNAC

Quando falamos de identidade, referimo-nos a um conjunto complexo de experiências individuais, relacionais, culturais, sociais, e até políticas.

Os cinco artistas selecionados questionam estas diferentes dimensões da identidade através de trabalhos fotográficos e de vídeo, que muitas vezes transcendem a moldura bidimensional da imagem, e reclamam do público um envolvimento com a obra a um nível pessoal.

Todos estes artistas, nomeados para o prémio Arendt, são titulares de uma forte visão pessoal que vai mais além dos habituais
clichés sobre a identidade.

Cihan Çakmak, com uma abordagem mais idiossincrática, explora a memória partilhada de uma identidade Curda fraturada, criando situações oníricas que desafiam a fragmentação social vigente e o isolamento vivido pela comunidade.

A estética particular de Ulla Deventer, que vai beber tanto à fotografia documental como à arte da instalação contemporânea, vê o corpo como instrumento de poder com vista a desconstruir estereótipos sobre a prostituição.

Quanto a Karolina Wojtas, as suas autorrepresentações desconstruídas e perceções fragmentárias do corpo estabelecem
novas narrativas que desafiam as noções convencionais de tempo e espaço de um ponto de vista social e relacional.

Num estilo diferente, a abordagem de Lívia Melzi consiste em examinar arquivos e representações ligadas à identidade no
contexto da sua investigação sobre os mantos de Tupinambá, que eram usados em rituais antropofágicos pelas tribos guerreiras Tupi da costa do Brasil.

A questão da identidade cultural está intimamente ligada com elementos autobiográficos no trabalho multimédia de Jojo Gronostay (nascido na Alemanha, com raízes Ganesas).

Objetos, imagens de objetos e fragmentos do corpo são descontextualizados e apresentados a uma escala inusitada, brincando com a relação entre colonialismo e capitalismo.

De modo geral, as perspetivas de todos estes artistas transmitem um leque de ideias sobre identidade, seja ela individual, familiar, cultural ou territorial.

Paul di Felice».

Considerando que estamos sempre a aprender, eu mais uma vez fiz juz à máxima socrática: “Só sei que nada sei”, porém não deixei de ficar apreensiva, perplexa ou até, talvez, um pouco indignada com esta terminologia oca, vazia, intencional e manipuladora.

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