A vida é um presente

A vida é um presente
Luísa Loureiro, Técnica de Análises Clínicas

Jesus diz “em verdade, em verdade, vos digo.” Fascina-me este modo de Jesus falar connosco, esta maneira única de logo no início me falar ao coração, porque me diz: “em Mim podes confiar”.

Ultimamente, tenho vivido um período difícil de saúde, com algum sofrimento de ordem física. Sabem aqueles pensamentos negativos que parecem não querer sair da nossa cabeça, por mais que tentemos?

É um desgaste inútil de energia. O segredo é deixar a voz do Pai falar mais alto. É deixar a voz do Amor falar. Foi o que me aconteceu. Primeiramente perguntei “o que queres, Senhor, dizer-me através destes sinais?” Então, entreguei-me nas Suas mãos, pedindo e agradecendo.

Ao longo dos internamentos e não só, aprendi tanta coisa maravilhosa…a minha vida tinha que mudar em alguns aspectos, como por exemplo, agradecer o dom da vida.

A vida é um presente, mas um presente que temos que conquistar todos os dias.

O segundo aspecto foi sentir que, ao ficar dependente dos outros, tinha que os ver como irmãos, dialogar com eles com naturalidade e sorrir mesmo que me custe. A gratidão é um sinal de nobreza. Foi a gratidão que salvou o Samaritano.

Por vezes, no meio de tanto sofrimento basta um obrigada, mas temos que pôr nesta palavra um sentimento de alegria. Custa pouco ser agradecido e o bem que se faz é enorme.

Agora, relacionando um terceiro aspecto com o ponto 1 do livro “Caminho” verifiquei que a minha vida não foi totalmente estéril. Deixei algum rasto. As minhas atitudes e palavras não foram totalmente inúteis!

Estou a falar da amizade. A amizade é o mais necessário para a vida. Agradeço a amizade da família, dos amigos e da grande família do Opus Dei. Todos se uniram em oração por mim, mesmo os amigos que não sabem rezar, mas sabem que sou uma pessoa “que lê a vida de Jesus Cristo”. (Caminho, ponto 2)

Verifiquei que a verdadeira amizade cria fortes laços de confiança, lealdade, fortaleza, decisão e generosidade.

Nem sempre é fácil, mas vale a pena esta grande luta pelo próximo. A amizade protege-nos da solidão e por sua vez desenvolve em nós outras virtudes.

Outro aspecto que também me fez meditar foi aprender a viver com algumas limitações. Exige aprofundar a paciência, a humildade e a aceitação.

Sei que o Pai nos diz: “Não tenhais medo”, porém, às vezes tenho medo. Mas sei que o Senhor nos fala directamente ao coração. Então o cansaço e o desânimo não são o mais importante. Recomeçar. Ainda há um longo caminho a percorrer.

Nestes últimos tempos foi especialmente forte para mim esta certeza da proximidade de Deus. O dia-a-dia da minha vida tem uma qualidade diferente. Tenho estado mais presente no sofrimento dos outros, e tenho visto como Deus cura, molda, transforma e abre novos caminhos. Com a ajuda do Pai e de todos os que me rodeiam, tive oportunidade de crescer um pouco em muitos aspetos, principalmente na humildade, aceitando as pequenas irritações com bom humor, cedendo à vontade dos outros, etc. Mas o que me ajudou mais foi olhar para o meu crucifixo e ver ali um Homem humilde.

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