A síndrome da Maioria Absoluta

 A síndrome da Maioria Absoluta
Luís Filipe Santos, Presidente da Distrital do PSD Castelo Branco

A palavra síndrome carateriza um conjunto de sintomas que podem indiciar uma determinada patologia clínica.

No caso político expresso, a síndrome da maioria absoluta é a patologia do totalitarismo claro em relação à governação da causa pública, quer seja nacional, quer seja local.

Um estado de elevação acima do bem comum onde o desrespeito pelos outros interlocutores igualmente eleitos, atinge níveis de autêntico desprezo institucional.

A cultura democrática do nosso país e da nossa região tem sido levada até este caminho onde o seguidismo tem liderado, mas onde os problemas começam a ser demasiado grandes para serem resolvidos por um só partido ou grupo de pessoas.

Umas das questões mais prementes e disruptivas dos últimos anos, abordava a lógica da coesão territorial, grande desígnio do governo do Dr. António Costa, empossado em 2015, que criou uma Unidade de Missão para a Valorização do Interior, vocacionada para apresentar soluções alternativas para o desenvolvimento dos territórios de baixa densidade.

As soluções apareceram, mas nada resolveram. Foi apresentado um catálogo de medidas para português ver, mas sem adesão à realidade do dia-a-dia de um português normal, habituado a pagar as suas contas, com impostos cada vez mais elevados e com serviços cada vez mais mínimos.

Uma Unidade de Missão nascida no meio da ambição, mas que terminou a gerir o desastre do grande incêndio de 2017 de Pedrógão, com as consequências conhecidas de todos nós.

Uma história recorrente conforme se pode ver pela estratégia na área da educação com as consequentes perdas dos alunos portugueses na área das competências de matemática e de leitura, aprofundadas com o drama do Covid.

Consequências que poderiam ser bem maiores, caso não fosse o hercúleo trabalho realizado pelos nossos professores deslocados e mal pagos, com as condições oferecidas por um governo alheado da realidade.

Quem desdenha a educação, dificilmente atingirá o pleno sucesso. Com uma saúde caótica, refém da ideologia dos parceiros de geringonça, tão necessários para manter o poder até 2019, onde as parcerias público-privadas e com a área social foram tão importantes para manter de pé, um Serviço Nacional de Saúde de mão estendida à conta das políticas socialistas, sem capacidade financeiras para adquirir compressas, luvas cirúrgicas, pensos e material cirúrgico de primeira necessidade que, graças ao espirito de sacrifício e profissionalismos dos médicos e enfermeiros, conseguiu estar na primeira linha do combate ao Covid 19, salvando milhares de vidas.

Num país afundado na cauda da Europa, onde a estratégia de distribuir migalhas para a eternização do poder se sobrepõe à visão de desenvolvimento coletivo tão necessária para podermos ser melhores do que os outros.

Uma atitude, bem patente como se discute um orçamento de Estado para 2024, com base na sobranceria em relação a um conjunto de propostas apresentadas pelo PSD, mas que não interessam porque foram apresentadas pelo maior partido da oposição.

Sim, já sabemos que existe uma maioria absoluta. Mas, essa maioria absoluta não pode impedir a humildade do diálogo, apenas porque se sabe que, na altura da votação, não se precisa do voto adversário.

É esta atitude a verdadeira fomentadora do extremismo e da cacofonia com que se tomam opções de governação, como se pode ver na última sessão da Assembleia Municipal de Proença-a-Nova.

Um exemplo paradigmático da falta de capacidade de diálogo com a oposição, de falta de respeito pelos membros da assembleia eleitos pela população, e da forma pueril como são tratados os assuntos relacionados com o futuro de um dos concelhos mais emblemáticos do Distrito de Castelo Branco.

O que estava em causa era a alteração do mapa de pessoal do Município de Proença-a-Nova para o ano de 2023. Só que, desta vez, a alteração era necessária para se poder responder a uma candidatura da área social no âmbito do PRR, conforme instruído na justificação e cuja aprovação na Assembleia Municipal era essencial.

Nada de mais, pois iria contar com o voto favorável dos eleitos do PSD, sempre disponíveis para defender o futuro do concelho.

A grande questão é que este documento veio para aprovação da Assembleia Municipal no dia a seguir ao prazo da candidatura ter terminado, numa demonstração de falta de respeito pelos eleitos locais raramente vista.

Neste aspeto concreto, todas as autarquias do distrito que fizeram a mesma candidatura, aprovaram-na nas respetivas Assembleias Municipais antes do prazo da candidatura terminar.

O desrespeito pelos eleitos locais, pelas populações e pelos procedimentos não pode acontecer, apenas e só, porque sabemos que a maioria nos irá aprovar qualquer proposta que apresentemos.

Por esse motivo, a bancada do PSD/CDS só poderia votar contra, pois estava em causa um procedimento desrespeitador dos eleitos da Assembleia Municipal.

Compreendemos ter sido os únicos. Talvez, por termos sido também os únicos a perceber o tamanho da inconsciência que estava em jogo.

A irresponsabilidade não pode ser o guia da nossa ação. Sob pena de continuarmos a sofrer de um síndrome que apenas nos vai isolando da realidade até nos deixar completamente sozinhos…..

*Luís Filipe Santos, Presidente da Distrital do PSD Castelo Branco, e-mail

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